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Não há dúvida de que filme de Gibson pode alimentar ódio, diz Henri Sobel

Cena de "A Paixão de Cristo"
Maria Madalena (Maia Morgenstern) e Jesus Cristo (Jim Caviezel) em cena de "A Paixão de Cristo"
O presidente do rabinato da Congregação Israelista Paulista, rabino Henri Sobel, teme que o filme A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, possa fazer com que pessoas que tomarem como verdade histórica a versão do filme desenvolvam um sentimento anti-semita.

"Não há dúvida de que o filme pode alimentar o ódio e o preconceito, principalmente em mentes predispostas ao anti-semitismo", afirmou Sobel. Apesar da convivência pacífica entre católicos e judeus no Brasil, ele acha que, no país, o grande perigo é a falta de informação.

"Há um terreno fértil para o ressurgimento do sentimento anti-semita por causa desse filme e por causa da nossa realidade social. Há muita gente que não sabe os fatos", afirma.

Sobel ainda não viu o filme, mas, ao contrário de alguns líderes religiosos americanos, que pregaram o boicote, acha que ele deve ser visto, mas como uma obra de ficção.

Sessão privada

O rabino deve assistir ao filme na semana que vem, antes da estréia nos cinemas brasileiros, numa sessão oferecida pela distribuidora do filme no Brasil ao rabino e a outros judeus na Congregação Israelita Paulista.

Depois de ver o filme, Sobel diz que vai convidar líderes evangélicos para conversar e esclarecer algumas dúvidas "baseado no Novo Testamento".

Isso não será necessário, na avaliação de Sobel, com líderes católicos, porque os dois grupos religiosos já mantêm um diálogo constante. "Já temos uma definição consolidada do nosso trabalho entre judeus e católicos", explica.

 As pessoas esclarecidas não vão mudar de idéia por causa de um filme. O perigo é que há pessoas não esclarecidas que podem ser envenenadas.
Rabino Henri Sobel

A maior preocupação do rabino é que os judeus passem a ser vistos como culpados pela crucificação de Jesus Cristo. Uma versão que, como ele lembra, já foi revista oficialmente pela Igreja Católica desde 1965, no Concílio Vaticano 2º.

"O Mel Gibson projeta em seu trabalho a sua visão pessoal. Isso é natural. O que é errado é levar o expectador a acreditar que aquilo que ele vê corresponde à verdade histórica. Não corresponde não", afirma. "Mais do que um erro, é uma irresponsabilidade", diz ele.

Incômodo

Sobel diz que se sente incomodado em ver os judeus da época de Cristo "serem retratados como vingativos e sanguinários, enquanto as virtudes do amor e da compaixão são atribuídas exclusivamente aos romanos".

É através do diálogo com os evangélicos que o rabino pretende evitar que o filme seja usado como instrumento de evangelização, como é intenção de grupos religiosos nos Estados Unidos.

Ele se preocupa menos, no entanto, com a Igreja Católica, tanto pelo diálogo entre as duas comunidades no Brasil como pela posição oficial do Vaticano.

"É importante lembrar que o filme contraria flagrantemente a doutrina da Igreja Católica Romana", diz o rabino. "Mas isso não é de se estranhar, porque Mel Gibson pertence a uma seita católica fundamentalista, que não reconhece o Concílio de 1965", afirma.

Apesar dos temores, ele diz que não se deve exagerar a importância do filme. "As pessoas esclarecidas não vão mudar de idéia por causa de um filme. O perigo é que há pessoas não esclarecidas que podem ser envenenadas", diz.

Mas ele confia na boa e antiga convivência entre as comunidades e as lideranças católicas e judaicas no Brasil para aparar as arestas. "Não são duas horas numa sala de cinema que vão destruir todo o nosso trabalho de reconciliação", diz ele.

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