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Atualizado às: 13 de fevereiro, 2004 - 15h08 GMT (13h08 Brasília)
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Ativistas judeus condenam filme de Gibson sobre Cristo

Cena do filme The Passion of the Christ
Cena do filme 'The Passion of the Christ', dirigido por Mel Gibson
The Passion of the Christ, escrito e dirigido por Mel Gibson e que deve ser lançado nos Estados Unidos no dia 25 de fevereiro, já causou debate entre grupos religiosos.

É um filme angustiante que não poupa detalhes em sua descrição do sofrimento de Cristo. Saudado por alguns como um épico, para outros este é o filme mais ofensivo já realizado.

Ativistas de direitos humanos judeus, como o rabino Marvin Hier, chefe do Centro Simon Wiesenthal, em Los Angeles, afirmam que o filme de Gibson não deixa dúvidas sobre quem deve ser responsabilizado pela morte de Jesus.

''Não foram os romanos, eles eram tímidos demais – e até demonstraram compaixão na situação toda. Foram apenas os judeus. Esta forma de retratar o fato terá um impacto negativo, mesmo que não cause um anti-semitismo instantâneo'', disse.

Nenhum outro filme religioso causou tantas reações dentro da comunidade judaica, de acordo com Hier, que afirma que Gibson usou ''de forma negativa'' estereótipos judeus.

''Eles aparecem como controladores, mesquinhos, com olhos sinistros, uma aparência parecida com a de Rasputin'', afirma.

'Simplesmente horrível'

''Em duas horas, nem um único judeu diz algo inteligente – sequer uma ou meia frase. Tudo o que eles fazem é entoar em voz alta mantras para a multidão. O retrato feito dos judeus neste filme – todos eles – é simplesmente horrível'', disse o rabino Marvin Hier.

Segundo Hier, o filme é ''simplista, um retrato historicamente incorreto''.

''Devido ao clima de anti-semitismo sem precedentes no mundo atual, este filme vai envenenar ainda mais a atmosfera – vai envenenar as mentes dos jovens.''

Mel Gibson, co-autor do roteiro, dirigiu e financiou o filme e nega as acusações de anti-semitismo.

Descrito como um católico conservador, Gibson afirma que o roteiro do filme foi o Novo Testamento e sua inspiração foi o Espírito Santo.

O ator e diretor está percorrendo os Estados Unidos promovendo sua obra para grupos de igrejas e universidades cristãs, onde o filme está sendo encarado como uma ferramenta de recrutamento – uma forma de pregar para os não convertidos.

Cena do filme 'The Passion of the Christ'
O ator Jim Caviezel interpreta Jesus Cristo

John Wallace, reitor da Universidade Pacific Azusa, da Califórnia, afirma que o filme é ''um retrato absolutamente acurado'' do que dizem as escrituras a respeito do sofrimento de Jesus.

O reitor acrescenta que vai encorajar as pessoas que ainda não estavam convencidas a respeito da Bíblia a ir para suas casas e ler os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João.

Segundo Wallace, Mel Gibson – que visitou a universidade no sábado – quer que a platéia seja transformada por seu filme.

''Acho que o objetivo dele é que as pessoas na platéia se sentem no cinema e sejam expostas à verdade bíblica de Jesus Cristo e experimentem uma transformação. Acho que Deus vai usar este filme para que o Espírito Santo permita que as pessoas sejam transformadas.''

'Fiel'

Até o papa João Paulo 2º se envolveu na polêmica. Inicialmente, foi divulgada a informação de que ele teria visto o filme e gostado. O Vaticano recuou, afirmando que o Papa nunca comenta arte.

Cena do filme 'The Passion of the Christ'
O filme não 'culpa ninguém', segundo Caviezel

Uma coisa que toda esta polêmica garante para o filme é a venda de ingressos. Analistas afirmam que Mel Gibson vai recuperar os US$ 30 milhões (mais de R$ 86 milhões) que investiu no filme logo no primeiro fim de semana de seu lançamento.

Em Hollywood, o protagonista do filme, que interpreta Jesus, o ator Jim Caviezel, saiu em defesa do longa. Ele afirmou que ''certamente'' algumas pessoas não vão concordar com o filme.

''Mas ninguém está culpando ninguém. O filme não condena toda uma raça pela morte de Cristo.''

O ator acrescentou que o longa é uma representação fiel dos evangelhos e não quer levantar controvérsias.

''O filme deveria dizer a verdade. As coisas não mudaram tanto assim nos últimos 2 mil anos – Jesus foi uma figura controversa e eles o mataram. Todos nós matamos Jesus, ele morreu por isso'', disse.

Grupos judeus estão pedindo que Mel Gibson adicione uma nota de acréscimo ao filme destacando que Cristo morreu por toda a humanidade. Até agora não há planos para estas mudanças.

The Passion of the Christ será lançado nos Estados Unidos no dia 25 de fevereiro e tem estréia prevista no Brasil no dia 26 de março.

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