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Criação de camarão no Brasil pode criar crise ambiental | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um estudo da Fundação para a Justiça Ambiental (EJF, na sigla em inglês) alerta que o crescimento da indústria do camarão no Brasil poderá ter consequências devastadoras para o meio ambiente costeiro, como já vem sendo observado em países como o Equador e o Vietnã. “Nós estamos muito preocupados com o Brasil porque acreditamos que ele vai ser um dos próximos lugares no planeta a sofrer o impacto devastador da crescente indústria do camarão”, disse à BBC Brasil Steve Trent, diretor da EJF. Segundo, ele a produção de camarões no Brasil vem crescendo mais de 50% ao ano. O objetivo da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão é alcançar uma produção equivalente a US$ 500 milhões até o ano 2005, e, em 2010, ser líder do mercado mundial com exportações no valor de US$ 1,5 bilhões. Governo O governo do Brasil diz que também está muito preocupado com o crescimento desta atividade e que está fazendo políticas para controlar e monitorar o crescimento das fazendas. Em entrevista à BBC Brasil o sub-secretário para o Desenvolvimento da Aquicultura e Pesca, Manuel Jesus da Conceição, reiterou que a prioridade para o governo é buscar um entendimento com o setor para que essa atividade se desenvolva de forma sustentável. Segundo o estudo da EJF um dos problemas das fazendas que criam camarão é que, na maioria dos casos, elas são insustentáveis. Segundo Trent, uma típica fazenda de camarão dura, no máximo, cinco anos. A degradação do ambiente e o surgimento de doenças causadas pelos químicos utilizados ilegalmente destróem a produtividade das fazendas. As fazendas são fechadas deixando a população local sem empregos e sem benefícios.
"A expansão de fazendas de camarão implica a destruição de manguezais e portanto a destruição de ecossistemas muito frágeis típicos de áreas costeiras", disse Trent. "As espécies marinhas dependentes dos manguezais são postas em perigo, afetando outras indústrias locais, como a da pesca", acrescentou. Os manguezais servem também como barreiras fluviais, e a destruição dos mesmas pode gerar enchentes ameaçando as populações locais. O Nordeste Para o diretor da EJF a região do Brasil mais preocupante é o Nordeste e, em particular, o Ceará. “Existem fazendas que cobrem zonas enormes, extensões de 500 hectares,” disse Trent. “Sabemos que as florestas de mangue estão sendo destruídas, sabemos que a poluição das fazendas está acabando com a vida marinha e sabemos que as comunidades locais estão preocupadas com a destruição do seu meio ambiente” afirma o ativista. O governo do Brasil também se preocupa mais com a região do Nordeste do país onde o crescimento tem sido maior.
O sub-secretário Manuel Jesus da Conceição concorda que no começo houve um crescimento da indústria um pouco descontrolado mas insiste que agora o governo está impondo medidas de segurança ambiental para as fazendas de camarão. "Todos os projetos hoje de instalação de fazendas marinhas têm que passar por um processo de licenciamento ambiental com os órgãos de fiscalização do governo brasileiro", acrescentou Conceição. Lição para o Brasil O governo do Brasil deve olhar para a lições aprendidas em países com o Vietnã e o Equador onde a indústria tem tido graves conseqüências ambientais. Os danos já sofridos no Brasil são menores que em países como o Vietnã e o Equador, onde a industria de camarão cresceu enormemente nos últimos anos. "A indústria no Brasil não é tão grande, mas a tendência é de rápido crescimento", concluiu Trent. A EJF recomenda que o governo do Brasil veja os exemplos nos outros países e tomem medidas para garantir que as fazendas de camarão sejam desenvolvidas de uma forma sustentável, protegendo tanto as populações afetadas quanto o meio ambiente. |
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