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Atualizado às: 24 de março, 2004 - 16h44 GMT (13h44 Brasília)
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Combate à tuberculose no Brasil é fraco, diz OMS

Bacilo da tuberculose
Diagnóstico da doença é um dos pontos fracos apontados pela OMS
O desempenho do Brasil no combate à tuberculose é fraco em comparação com outros países, segundo o médico Christopher Dye, coordenador e um dos autores do relatório sobre a doença no mundo divulgado nesta quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em entrevista à BBC Brasil, Dye afirmou que – devido à falta de investimentos –o Brasil tem resultados piores do que países mais pobres, como Índia, Indonésia, Paquistão e até Bangladesh.

"Esses países têm muito menos recursos para implementar programas de controle de tuberculose do que o Brasil, ou seja, o Brasil tem um desempenho relativamente fraco."

"O Brasil é um país rico, tem os recursos para fazer um controle eficiente da tuberculose, e mesmo assim ainda não vimos lá o progresso que vimos em outros países, como na Ásia", afirmou Dye.

Ministro

O ministro da Saúde, Humberto Costa, concordou com a avaliação da agência da ONU.

"O Brasil, por sua estrutura de saúde pública, poderia ter indicadores bem melhores do que tem hoje", disse o ministro, que anunciou um pacote de mudanças para reverter esse quadro, acrescentando que as falhas do Brasil na área se concentram principalmente no diagnóstico da doença e no tratamento não-continuado.

Ambas as questões são destacadas pelo relatório da OMS, que salienta ainda que a abrangência da estratégia de combate à tuberculose DOTS (a sigla em inglês para para estratégia de tratamento sob observação direta, recomendada pela organização) sobre a população vem caindo nos dois últimos anos examinados.

Em 2001, a estratégia DOTS atingia 32% da população. Em 2002, o índice caiu para 25% – mais uma má notícia para o sistema de saúde brasileiro, segundo Dye.

"A porcentagem que recomendamos é 100%. É isso que o Brasil deveria estar tentando atingir. O fato de ela estar em queda indica uma negligência no que diz respeito à introdução da estratégia DOTS."

'Negligência'

Essa suposta negligência, segundo o ministro Humberto Costa, se deve à uma resistência do governo anterior a descentralizar os programas de combate.

"O Brasil falhou nos governos anteriores por ter um programa de saúde da família que não fazia diagnóstico nem tratamento de tuberculose."

"Os pacientes tinham que se deslocar para centros especializados muitas vezes longe de suas casas", completou o ministro da Saúde.

A estratégia DOTS consiste de cinco elementos: compromisso político, diagnóstico de pacientes da tuberculose por baciloscopia, observação direta dos pacientes tratados com drogas antituberculose, acesso a quantidades adequadas de remédios de qualidade e acompanhamento de cada paciente diagnosticado.

O índice de detecção de casos de tuberculose em 2002 foi de apenas 10% do total estimado, segundo o estudo, também muito abaixo dos 70% que a OMS espera de um país com a infra-estrutura do Brasil.

O ministro Humberto Costa, no entanto, contesta esses números. Segundo ele, o Brasil detecta mais de 70% dos casos estimados de tuberculose todo o ano.

O relatório elogia a iniciativa de descentralização tomada pelo governo Lula desde 2002, delegando mais responsabilidades aos governos estaduais no combate à doença.

'Falta de compromisso'

No entanto, a descentralização rápida também teria levado a uma falta de compromisso político, da parte dos governos regionais, segundo o estudo.

A OMS registrou uma queda no sucesso do tratamento. Mais grave do que isso, segundo a OMS, é a falta de acompanhamento dos pacientes diagnosticados.

"O sistema está falhando ao monitorar satisfatoriamente as conseqüências do tratamento dos pacientes. Acho que o que é necessário é um ajuste do sistema de monitoramento e avaliação dos pacientes para garantir a cura", afirmou Christopher Dye.

O ministro Humberto Costa afirmou que pretende mudar essa situação com uma intervenção federal.

"Vamos ter forças-tarefas nas coordenações estaduais do programa para dar prosseguimento ao tratamento dos pacientes", disse o ministro à BBC Brasil.

Esse tipo de acompanhamento, segundo Dye, também deve ser feito com pacientes de HIV.

"O Brasil tem um excelente programa de distribuição de coquetéis antivirais e está dando sinais de melhora no acompanhamento de longo prazo desses pacientes. Um motivo a mais para que isso seja repetido com a tuberculose", disse Christopher Dye.

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