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Atualizado às: 26 de janeiro, 2004 - 22h12 GMT (20h12 Brasília)
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Gripe do frango em aves migratórias preocupa o Brasil

O governo brasileiro está preocupado com a possível entrada da gripe do frango – influenza aviária – no país por meio de aves migratórias.

"Temos uma costa muito grande, e aves migratórias são um dos principais veículos desse vírus", disse o gerente do Programa Nacional de Sanidade Avícola do Ministério da Agricultura, Egon Vieira da Silva.

Vieira da Silva disse que é possível garantir, no entanto, que as aves das granjas são seguras e totalmente livres da doença. "O que a gente pode falar é que o frango brasileiro é seguro para a população", afirma o veterinário.

O risco das aves migratórias, segundo ele, é que elas saem do Ártico no inverno do hemisfério norte e migram para regiões mais quentes, como a América do Sul ou a Ásia. Quando voltam para o Ártico, na época de reprodução, podem se contaminar e trazer a doença para o Brasil da próxima vez.

Controle

A transmissão para os aviários também preocupa, mas é mais fácil de controlar, na avaliação de Vieira da Silva. "Impossível (que a doença entre no país) não é, mas estamos tomando os cuidados e as medidas necessárias para prevenir", afirmou.

"Mesmo aves de fundo de quintal passam a ser um risco", afirma o gerente do Programa Nacional de Sanidade Avícola.

O Brasil já suspendeu, desde a semana passada, a importação de aves vivas, produtos e subprodutos de frango dos países onde a doença já foi registrada. Até esta segunda-feira, eram oito países – Japão, Coréia do Sul, Vietnã, Tailândia, Cambodja, Taiwan, Hong Kong e Indonésia.

O Paquistão, onde a doença foi encontrada nesta segunda-feira, também deve entrar na lista. Segundo Vieira da Silva, a proibição é automática à medida em que a notificação de presença da doença no país é feita à Organização Internacional de Saúde Animal.

A criação de uma rede de informações e a mobilização de todos os produtores a qualquer suspeita é fundamental para o controle rápido da doença, caso ela apareça, na avaliação do presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef), Julio Cardoso.

"Esse foi o problema da Tailândia. Eles tentaram negar e a doença fugiu do controle", criticou. Mas Cardoso não acredita que isso possa acontecer no Brasil. "O Ministério da Saúde está atento e inclusive aumentou os recursos para esse setor", afirmou.

O Ministério está realizando, desde novembro do ano passado, um programa de um ano que vai colher amostras em aviários de todo o país, que serão testadas para a doença. "Até agora não encontramos nada", diz Vieira da Silva.

O Brasil nunca teve casos da influenza aviária. Já teve surtos de outra doença igualmente perigosa, a doença de Newcastle, também de notificação internacional compulsória. Um no Rio de Janeiro, em 2000, e outro no norte de Goiás em 2001, mas já conseguiu os certificados de que o país está livre da doença.

Produtores

Os produtores brasileiros estão menos preocupados com a possível chegada da doença ao país. "A doença está restrita ao Extremo Oriente", diz o presidente da União Brasileira de Avicultura (UBA), Zoé Silveira D'Avila.

Ele lembra que uma lista enviada pelo Ministério da Agricultura cita o Chile como o único país da América do Sul que já teve a doença. "Mas eles têm ligação com o Oriente pelo Pacífico. A nossa ligação com aqueles países é muito pequena", afirma.

Entre as medidas recomendadas pelo Ministério da Saúde e divulgadas pela UBA aos associados estão que se evite a visita de pessoas que estiveram nos países com surto da doença aos aviários brasileiros. "Estamos recomendando até que evitem as visitas de modo geral", diz D'Avila.

Apesar de também adotar medidas para evitar a entrada da doença no país, os produtores brasileiros esperam ganhar com a epidemia que atinge os países asiáticos. A Abef refez a previsão de queda de 7%, por causa do sistema de cotas estabelecido pela Rússia, que deixou o país de fora, para um aumento de 10% este ano.

"O Brasil é um fornecedor alternativo importante, porque a nossa carne é segura", diz o presidente da Abef, Julio Cardoso. Ele diz que aumentou a procura de compradores da Ásia e da Europa, que compravam dos produtores asiáticos que agora tiveram a exportação proibida.

Exportação

O Brasil se tornou no ano passado o maior exportador do mundo em volume financeiro, ultrapassando os Estados Unidos. Em volume físico, é o segundo, depois dos americanos, seguido da União Européia e da Tailândia.

A exportação brasileira cresceu 20% em volume físico e 27% em volume financeiro, com expansão maior da venda de cortes, com maior valor agregado.

Cardoso, que também é executivo do frigorífico Seara, o terceiro maior produtor de frango do país, diz que a procura aumentou a partir da divulgação de casos do mal da vaca louca nos Estados Unidos, em 24 de dezembro do ano passado.

Ele não teme, no entanto, uma redução do consumo interno ou mesmo internacional por causa da gripe do frango. "Até agora, o que se falou foi da transmissão via contato com o animal doente, e não com o consumo da carne", diz.

O Brasil é o quinto país com maior consumo de carne de frango per capita, com 33,8 quilos por pessoa. O maior consumidor é Hong Kong, com uma média anual por pessoa de 43,5 quilos.

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