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Atualizado às: 20 de agosto, 2003 - 15h24 GMT (12h24 Brasília)
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'Medicação regular não reduz resistência do HIV'
Remédios contra a Aids
Imunidade de vírus às drogas conhecidas está crescendo

Pacientes com o vírus HIV que tomam seus remédios regularmente podem ter mais chances de desenvolver resistência às drogas do que aqueles que os tomam de forma irregular, de acordo com um estudo da Universidade da Califórnia, em São Francisco.

Até agora, se pensava que, em geral, o vírus sofria mais mutações em pessoas que deixavam de tomar os remédios regularmente.

Os que defendem essa idéia dizem que o contato irregular com os medicamentos pode levar a resistência e, por isso, há situações em que é melhor não tomá-los.

Isso porque as doses acabariam gerando um vírus mais resistente no paciente ao invés de combatê-lo.

Mendigos

Com base nessa teoria, alguns médicos optam por não dar drogas anti-retrovirais a pacientes que eles acreditam que não tomariam seus remédios corretamente.

O novo estudo americano sugere que o problema pode, na verdade, ocorrer com os pacientes que seguem as instruções do médico à risca.

Um número crescente de pessoas com o HIV está desenvolvendo resistência às drogas usadas para combater a doença.

O levantamento descobriu que um em cada dez novos casos na Europa é resistente a pelo menos uma das drogas importantes do tratamento contra a Aids.

O médico David Bangsberg e uma equipe de colegas da Universidade da Califórnia examinaram 148 pessoas que estavam tomando anti-retrovirais.

 "Uma adesão adequada aos regimes anti-retrovirais ainda é a melhor aposta para prevenir o adoecimento ou a morte por causa do HIV"

Dr. David Bangberg, Universidade da Califórnia

Eles eram mendigos, viviam em abrigos ou em pensões muito simples.

Os pesquisadores fizeram análises nos pacientes a cada três, durante um período de um ano.

Eles contaram o número de comprimidos restantes para verificar se as drogas estavam sendo consumidas corretamente.

Os médicos também realizaram exames de sangue para medir o nível de HIV no sangue dos pacientes, para verificar se o vírus havia passado por uma mutação.

Os pesquisadores descobriram que os pacientes que tomavam 80% ou mais dos seus comprimidos tinham o dobro das chances de estar carregando um vírus mutante, em comparação com pacientes que tomavam 40% ou menos das doses prescritas.

As mutações foram consideradas recentes, tendo ocorrido durante o período de 12 meses do estudo.

Bangsberg descreveu as revelações como surpreendentes, mas disse que pacientes contaminados pelo HIV, que estão tomando o coquetel anti-retroviral, devem continuar a tomar a medicação regularmente.

"O que é surpreendente é que o que tipicamente consideramos ser excelente em termos de ingestão de medicamentos - 80% dos comprimidos ou mais - leva a mais resistência do que a ingestão ocasional ou inconsistente", disse ele.

"Uma adesão adequada aos regimes anti-retrovirais ainda é a melhor aposta para prevenir o adoecimento ou a morte por causa do HIV", advertiu.

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