Brasil tem 9 casos suspeitos de coronavírus, informa Ministério da Saúde

Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

Crédito, ABR

Legenda da foto, O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que Brasil não vai barrar pessoas vindas da China
Tempo de leitura: 4 min

Reportagem atualizada às 12h30 de 06/02/2020

Há atualmente 9 casos suspeitos do novo coronavírus no Brasil, de acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde. Nenhum caso foi confirmado até o momento.

Os casos suspeitos estão em Minas Gerais (1), Rio de Janeiro (1), Rio Grande do Sul (3), Santa Catarina (1) e São Paulo (3). Ao todo, 24 possíveis casos já foram descartados.

De acordo com os números do Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças, já foram confirmados mais 28,2 mil casos em 26 países — 28 mil deles na China — e mortes, todas na China com exceção de uma, nas Filipinas.

Na última quarta-feira, foi aprovada no Congresso Nacional uma lei elaborada pelo governo federal que estabelece as medidas adotadas no país no combate à epidemia. Agora, a lei segue para sanção presendencial.

A falta de um marco legal específico sobre o tema havia sido apontada pelo presidente Jair Bolsonaro como um dos motivos pelos quais o país não faria a repatriação de brasileiros na China.

Um comitê interministerial formado pelas pastas da Casa Civil, da Defesa, das Relações Exteriores e da Saúde está a cargo de tomar as medidas necessárias para a repartriação e a quarentena.

De acordo com o governo, duas aeronaves decolarão da China no sábado para repatriar os brasileiros que estão em Wuhan, cidade chinesa que é considerada o epicentro do surto. Ao retornar ao Brasil, eles ficarão em quarentena por 18 dias em uma base militar em Anápolis (GO).

Desde a última terça-feira (04/02), a epidemia é considerada uma situação de emergência de saúde pública de interesse nacional. Este é o terceiro dos três níveis possíveis de classificação de risco do país.

Anteriormente, o governo havia informado que este estágio só seria atingido quando houvesse a confirmação de um caso em território nacional.

Mas o Ministério da Saúde decidiu antecipá-lo para dar agilidade na contratação de recursos, por meio da dispensa de licitações, para repatriar os brasileiros e mantê-los em quarentena.

"Para se fazer a busca destas pessoas, montar toda a estrutura, se definir o local (de quarentena), colocar todos os equipamentos, vamos reconhecer essa situação de emergência internacional, para poder ter os mecanismos, senão você tem que abrir licitação, leva 15 a 20 dias para se movimentar quando opera no status normal da lei de licitações", afirmou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Polêmica nas fronteiras

Diferentemente de outros países, governo brasileiro descartou barrar a entrada de pessoas vindas da China no país, mas orientou que viagens para a China devem ser realizadas somente "em casos de extrema necessidade" e que empresas brasileiras evitem marcar e participar de reuniões presenciais com pessoas vindas do país asiático.

"Brasileiros devem pensar três vezes antes de ir para a China", afirmou o secretário substituto de Vigilância em Saúde, Júlio Croda.

Países ao redor do mundo fecharam suas fronteiras para viajantes que passaram pela China, enquanto autoridades trabalham para controlar a rápida disseminação do coronavírus.

Passageiros são escaneados em aeroporto na Índia

Crédito, AFP

Legenda da foto, Diversos países adotaram a triagem de passageiros em aeroportos para conter o surto

Estados Unidos e Austrália disseram que negariam a entrada a todos os visitantes estrangeiros que estiveram recentemente na China, onde o vírus surgiu pela primeira vez em dezembro. Rússia, Japão, Paquistão e Itália anunciaram restrições de viagem semelhantes.

Mas as autoridades globais de saúde criticaram as medidas de restrição. "As restrições de viagens podem causar mais mal do que bem, dificultando o compartilhamento de informações, as cadeias de suprimentos médicos e prejudicando economias", afirmou o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A OMS recomenda que sejam feitos exames nas passagens oficiais de fronteira. Segundo a entidade, o fechamento de fronteiras pode acelerar a propagação do vírus, com viajantes entrando em países ilegamente.

A China criticou a onda de restrições de viagens, acusando governos estrangeiros de ignorar as recomendações oficiais. "Logo depois de a OMS criticar as restrições de viagens, os Estados Unidos correram na direção oposta", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Hua Chunying. "Certamente não é um gesto de boa vontade."

Emergência de saúde global

O coronavírus de Wuhan foi declarado uma emergência de saúde global pela OMS. A agência afirmou estar preocupada com casos de transmissão do vírus fora da China e com a possibilidade de propagação do vírus em países com sistemas de saúde pública mais frágeis.

Mãe e filho chineses com máscara

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, O coronavírus de Wuhan foi declarado uma emergência de saúde global pela OMS

A OMS declara uma emergência de saúde pública quando há "um evento extraordinário que constitui um risco à saúde pública de outros Estados através da disseminação internacional da doença", afirma a agência.

E emite recomendações temporárias que os 192 países membros da organização devem seguir para conter a propagação de uma doença, neste caso o coronavírus ou 2019-nCoV (seu nome técnico).

"Eles devem estar preparados para tomar medidas de contenção, como vigilância ativa, detecção precoce, isolamento e gerenciamento de casos, acompanhamento de contatos e prevenção da propagação 2019-nCoV e fornecer à OMS todos os dados relevantes", informou a agência em um comunicado oficial.

A organização recomenda que "os países procurem principalmente reduzir a infecção nas pessoas, evitar a transmissão secundária e a propagação internacional e colaborar com a resposta internacional por meio da comunicação e colaboração multissetoriais e participação ativa para aumentar o conhecimento sobre a o vírus e a doença e para impulsionar a pesquisa ".

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