Como imprensa internacional noticiou retirada de sanções contra Moraes pela Lei Magnistky

Reprodução de notícia do Financial Times sobre retirada de sanções contra Alexandre de Moraes

Crédito, Reprodução

Legenda da foto, Financial Times destacou reaproximação entre Brasil e EUA
    • Author, Vitor Tavares
    • Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
  • Tempo de leitura: 4 min

A retirada do nome do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), da lista de sancionados pela Lei Magnitsky repercutiu na imprensa internacional nesta sexta-feira (12/12). A esposa dele, Viviane Barci de Moraes, também não está mais sancionada.

O jornal britânico Financial Times (FT) lembrou que foi Moraes quem supervisionou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje condenado e preso por tentativa de golpe, e classificou a notícia desta sexta como "o mais recente movimento de Washington para reconstruir pontes com o Brasil"

O FT destaca que a medida ajuda a abrir caminho para o aquecimento das relações entre os EUA e o Brasil após uma crise no início do ano, quando o presidente Donald Trump tentou forçar o Brasil a abandonar o caso contra Bolsonaro, chamando-o de "caça às bruxas".

Sobre Lula, o veículo de imprensa britânico disse que o presidente "rejeitou a pressão", dizendo que não permitiria que seu país fosse ditado de fora e que queria que o Judiciário independente fosse respeitado.

O portal de notícias argentino Infobae também destacou que a exclusão de Moraes e sua família da lista Magnitsky ocorre após uma aproximação diplomática entre a administração de Trump e o governo Lula.

"Durante meses, a presença de Moraes e sua família na lista Magnitsky significou cancelamento de cartões de crédito, congelamento de ativos e restrições a operações financeiras internacionais", destacou o Infobae.

O jornal britânico The Guardian ressaltou que a medida foi solicitada "repetidamente" por Lula nas negociações com Trump para revogar as tarifas de 50% sobre as importações brasileiras.

"A decisão é um grande revés para Bolsonaro e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, que deixou seu cargo no Brasil para fazer lobby em Washington por medidas punitivas sobre o que ele chamou de 'perseguição' contra seu pai", apontou o Guardian.

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A agência de notícias americana Bloomberg também lembrou que a suspensão das sanções ocorre após Trump aliviar as tarifas que havia aplicado às exportações brasileiras, também numa tentativa de fazer pressão e ajudar Bolsonaro.

Já a agência de notícias Reuters também contextualizou que "Trump havia acusado Moraes de usar o Judiciário como arma, autorizar detenções arbitrárias antes do julgamento e suprimir a liberdade de expressão". Mas que agora ele está livre de sanções.

O jornal americano Washington Post reproduziu a notícia da agência Associated Press (AP), também destacando que Moraes liderou o julgamento contra o ex-presidente Bolsonaro.

A AP contextualiza que Bolsonaro foi condenado por arquitetar um plano para permanecer no poder apesar de sua derrota na eleição de 2022 para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva — acusações semelhantes às enfrentadas por Trump depois que uma multidão de seus apoiadores atacou o Capitólio dos EUA em 2021.

O Financial Times ainda menciona o papel de Eduardo Bolsonaro nos EUA para tentar as sanções contra o Brasil, destacando a nota de que ele "recebeu com pesar" a notícia.

Entenda o caso

Bolsonaro e Moraes em foto de 2022

Crédito, Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images

Legenda da foto, Bolsonaro e Moraes em foto de 2022

A decisão do governo Trump de retirar Moraes e sua família dos alvos da Magnitsky foi publicada no site do Tesouro Americano.

A decisão representa mais uma desescalada nas tensões entre EUA e Brasil, após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Aprovada durante o governo de Barack Obama, em 2012, a Lei Magnitsky é uma das mais severas disponíveis para Washington punir estrangeiros que considera autores de graves violações de direitos humanos e práticas de corrupção.

As sanções contra Alexandre de Moraes haviam sido impostas em julho, em meio às pressões do governo de Donald Trump para tentar influenciar o julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Em setembro, o ex-presidente foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por golpe de Estado e mais quatro crimes, pena que ele começou a cumprir em novembro.

Viviane Barci de Moraes, por sua vez, foi alvo das sanções pela Lei Magnitisky em setembro. À época, também foi sancionado o Lex - Instituto de Estudos Jurídicos, empresa mantida por Viviane e os três filhos do casal: Gabriela, Alexandre e Giuliana Barci de Moraes, com sede em São Paulo.

Nesta sexta-feira, o instituto também foi retirado da lista de sanções.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atuou junto ao governo americano para a imposição de sanções ao Brasil e a Moraes, lamentou a decisão.

"Recebemos com pesar a notícia da mais recente decisão anunciada pelo governo dos EUA. Agradecemos o apoio demonstrado pelo presidente Trump ao longo deste processo e a atenção que dedicou à grave crise de liberdades que afeta o Brasil", escreveu Eduardo, em nota publicada no X.

Em novembro, o STF tornou Eduardo Bolsonaro réu por coação no curso do processo, por articular sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras, na tentativa de influenciar o julgamento de seu pai. Ele nega ter cometido qualquer crime.