Os alimentos que 'enganam' seu cérebro e fazem você achar que não comeu tanto

Legenda do vídeo, Epidemiologista Carlos Monteiro explica por que os ultraprocessados são tão perigosos.
Os alimentos que 'enganam' seu cérebro e fazem você achar que não comeu tanto

Nuggets de frango, salgadinhos de pacote, refrigerantes, sorvetes, pão integral fatiado. Você já parou para pensar por que esses produtos, tão criticados por profissionais de saúde, estão cada vez mais presentes nas prateleiras?

Segundo o epidemiologista brasileiro Carlos Monteiro, esses alimentos, conhecidos como ultraprocessados, são feitos a partir de ingredientes isolados — como gordura, açúcar, amido e proteínas — e contam com uma série de aditivos cosméticos — flavorizantes, corantes, emulsificantes, entre outros — que dão sabor, aroma e outros atributos desejáveis.

Eles não são apenas pouco saudáveis — são parte de uma indústria bilionária que incentiva o consumo excessivo e contribui para doenças como a obesidade.

"A dieta ultraprocessada tem uma alta densidade de energia. Ela tem pouca água, pouca fibra, e muita gordura e açúcar. Tudo isso junto faz ela ter uma densidade de energia, de calorias por volume, muito grande", explica Monteiro, líder do grupo de estudos que cunhou o termo alimentos ultraprocessados.

"Outro ponto é a hiperpalatabilidade. Esses ultraprocessados são artificialmente palatáveis. Eles são formulados para serem consumidos em excesso, porque a pessoa não consegue parar de comer graças à textura, ao aroma."

O epidemiologista destaca ainda que os ultraprocessados fazem com que as pessoas comam em pouco tempo uma grande quantidade de calorias. Isso faz com que o cérebro não tenha tempo para identificar que a pessoa já comeu o suficiente.

"Quando ele identifica o que foi comido, já passou a hora e você comeu demais."

Assista a um trecho da entrevista no vídeo.