'Devia ter regulamentação igual cigarro', diz Carlos Monteiro, especialista em ultraprocessados
Para o epidemiologista brasileiro Carlos Augusto Monteiro, os alimentos ultraprocessados precisam ser taxados e regulamentados, num modelo muito parecido ao que aconteceu com o cigarro ao longo das últimas décadas.
"Eu lembro que, em São Paulo, tínhamos até 70% da população que fumava quando eu estava com meus 15 a 20 anos. Hoje, essa taxa está abaixo de 10%. Como é que se conseguiu essa redução?", questiona.
"Não foi só avisando as pessoas para que elas deixassem de fumar para não ter câncer de pulmão. Houve aumento do imposto, advertência nos rótulos", declarou em entrevista à BBC News Brasil.
Monteiro é o líder do grupo de estudos que cunhou o termo "alimentos ultraprocessados", classificação que ganhou notoriedade internacional.
Segundo a definição desenvolvida pela equipe dele, esses produtos são feitos a partir de ingredientes isolados — como gordura, açúcar, amido e proteínas — e contam com uma série de aditivos cosméticos — flavorizantes, corantes, emulsificantes, entre outros — que dão sabor, aroma e outros atributos desejáveis.
"A semelhança com os ultraprocessados é muito grande e eu acho que precisa ser feito algo parecido ao que aconteceu com os cigarros", defende Monteiro.
"A grande diferença quando falamos de ultraprocessados é que precisamos pensar nos substitutos. Porque, no caso do cigarro, não há necessidade de trocá-lo por outra coisa. No caso dos alimentos, todo mundo precisa comer, todo mundo precisa de calorias para ficar vivo", afirma.
"É mais difícil porque você precisa pensar em alternativas no mercado. Mas é mais fácil porque existem caminhos para fazer isso, como apoiar a agricultura familiar, garantir o abastecimento e fazer estoques estratégicos de alimentos-chave."
Confira a um trecho da entrevista no vídeo.



