Popularidade de remédios para emagrecer faz Vigilantes do Peso pedir falência

Pés de uma mulher subindo na balança

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Vigilantes do Peso encerrou suas atividades no Brasil no fim do ano passado
    • Author, Tom Espiner e Mitchell Labiak
    • Role, BBC News
  • Tempo de leitura: 3 min

A WeightWatchers, conhecida no Brasil como Vigilantes do Peso, entrou com pedido de falência nos Estados Unidos, em meio a dívidas e à forte concorrência de medicamentos para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro.

A empresa de mais de 60 anos, que ficou conhecida pelos programas de dieta, encerrou suas atividades no Brasil no fim do ano passado, depois de cinco décadas operando no país.

O atual processo judicial prevê que US$ 1,15 bilhão da dívida da empresa seja anulada enquanto ela discute novos termos para pagar seus credores.

A WeightWatchers informou que vai permanecer "totalmente operacional" durante o processo, "sem impacto para os membros".

Isso acontece após a ascensão meteórica da popularidade das injeções de medicamentos para perda de peso, que a empresa classificou como um "cenário em rápida mudança no setor de controle de peso".

"Por mais de 62 anos, a WeightWatchers tem capacitado milhões de membros a fazer escolhas saudáveis e bem informadas, mantendo-se resiliente conforme as tendências surgiam e desapareciam", afirmou a CEO da companhia, Tara Comonte.

Os planos têm "o apoio esmagador de nossos credores", ela acrescentou.

Em comunicado, a empresa disse que seu programa de perda de peso, sistema de "telessaúde" e workshops de perda de peso vão continuar.

A companhia prometeu que estava "aqui para ficar", e afirmou que não estava saindo do mercado.

A empresa declarou que tinha uma "quantidade significativa de dívidas em seu balanço patrimonial, algumas das quais datam de décadas atrás" — e que o pedido de falência permitiria a reestruturação de seu balanço patrimonial.

Alguns clientes receberiam notificações judiciais como parte do processo, mas não precisariam tomar nenhuma providência, acrescentou a companhia.

'Transição significativa'

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A WeightWatchers começou como uma reunião semanal de um grupo de apoio à perda de peso com 400 participantes, e acabou ganhando milhões de membros ao redor do mundo.

Mas a demanda por seus programas caiu enquanto a popularidade de medicamentos para perda de peso, como Wegovy e Zepbound, aumentou — embora a marca venda medicamentos para emagrecer como parte de seus programas.

Em fevereiro, Comonte disse que a WeightWatchers poderia ajudar as pessoas que buscam uma perda de peso "sustentável" após a interrupção do uso dos medicamentos.

"Ao mesmo tempo, a WeightWatchers está em um período de transição significativa à medida que navegamos pelas mudanças do setor e reposicionamos nosso negócio para um crescimento de longo prazo", afirmou ela, na ocasião.

A companhia registrou um prejuízo líquido de US$ 346 milhões no ano passado, enquanto sua receita proveniente de assinaturas caiu 5,6% em comparação com o ano anterior.

Na terça-feira (6/5), a empresa informou que a receita das assinaturas caiu 9,3% nos três primeiros meses de 2025 — embora seus negócios na área clínica, que incluem medicamentos para perda de peso, tenham registrado um aumento de mais de 57% na receita.

O passivo total da marca, de US$ 1,88 bilhão, é maior do que o valor de seus ativos. A companhia disse que "espera que [o] plano de reestruturação seja confirmado em aproximadamente 40 dias, e que emerja como uma empresa de capital aberto".

A WeightWatchers mudou seu nome para "WW" em 2018, à medida que passou a se concentrar na promoção da saúde além da perda de peso.