3 perguntas-chave ainda sem resposta sobre acidente de bondinho em Lisboa

Crédito, EPA
- Author, Daniel Gallas
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Tempo de leitura: 5 min
As autoridades de Portugal abriram um inquérito sobre o descarrilamento do Elevador da Glória, famoso bondinho de Lisboa, em Portugal, que deixou ao menos 16 mortos na quarta-feira (3/9).
A polícia, a Autoridade Nacional de Segurança nos Transportes (ANSA) e a Carris, empresa que gere o Elevador da Glória, também abriram investigações.
Além dos 16 mortos confirmados até a manhã de quinta-feira, o acidente também deixou 21 feridos — cinco deles em estado grave, segundo o jornal português Observador. As autoridades disseram que uma criança sofreu ferimentos leves.
Entre os feridos está um brasileiro, cuja identidade não foi divulgada. Mas o ferimento foi leve e ele já recebeu alta. A informação foi confirmada à BBC News Brasil pelo cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Warley Candeas.
Três dias de luto estão sendo observados em Portugal.
O bondinho funciona há quase 150 anos e é uma atração muito popular entre turistas que visitam a capital portuguesa. Ele descarrilou e colidiu com um prédio perto da Avenida da Liberdade por volta das 18h15 no horário local (14h15 no horário de Brasília).
O jornal português Observador noticiou que um cabo do bondinho se soltou, fazendo com que o veículo perdesse o controle. Testemunhas disseram que o bondinho deslizou pela rua íngreme e que o veículo parecia "fora de controle, sem freios".
Confira abaixo três perguntas que ainda não foram respondidas sobre o acidente.
1. A causa exata do acidente
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A investigação da Autoridade Nacional de Segurança nos Transportes (ANSA) começou nesta quinta-feira.
Segundo a imprensa local, o principal foco da investigação é o cabo que permite o funcionamento do sistema de contrapeso. Este cabo permite que o bondinho suba e desça a ladeira no centro de Lisboa, que é muito íngreme.
Este sistema é utilizado desde 1914. Inicialmente, era usado um sistema hidráulico, que foi posteriormente trocado por um a vapor. Agora todo sistema é elétrico.
Além disso, há também a questão de como o bondinho descarrilou e por que o sistema de freios não foi suficiente para impedir a perda de controle.
A Câmara Municipal de Lisboa suspendeu a circulação de outros bondinhos do tipo na capital e anunciou a realização de vistorias técnicas.
A Carris, empresa que opera os elétricos e funiculares de Lisboa, também abriu uma investigação própria.
A empresa afirma que a manutenção regular, realizada a cada quatro anos, foi feita pela última vez em 2022. A manutenção intermédia foi realizada no ano passado, e também foram realizadas verificações mensais e semanais regulares.

Crédito, EPA
A empresa alega que todas as normas foram seguidas.
Pedro Bogas, presidente da Carris, emitiu uma declaração à imprensa: "Temos protocolos rigorosos, excelentes profissionais há muitos anos, e precisamos entender o que aconteceu."
Mas um dos sindicatos que representam os funcionários da Carris manifestou preocupação com a falta de manutenção. A Carris contestou essa alegação.
2. As identidades e nacionalidades das vítimas
As autoridades ainda não confirmaram as identidades e nacionalidades de todas as vítimas e dos feridos.
O Ministério Público de Lisboa trabalha para identificar as vítimas do desastre.
Até o momento, oito das 16 pessoas mortas foram identificadas neste processo.
Entre elas, estão cinco portugueses, dois sul-coreanos e um suíço.
Em comunicado, o Ministério Público de Lisboa acrescenta que os trabalhos para identificar as oito vítimas restantes continuam.
Veículos de imprensa também têm noticiado algumas informações apuradas por seus jornalistas quanto às identidades e nacionalidades de vítimas e feridos.
No total, haveria pessoas de 10 nacionalidades diferentes entre os feridos.
Segundo nota do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) na quarta-feira, não houve registro de vítimas brasileiras.
O jornal português Diário de Notícias noticiou a nacionalidade de 15 dos feridos: eles seriam quatro portugueses, dois alemães, dois espanhóis, um coreano, um cabo-verdiano, um canadense, um italiano, um francês, um suíço e um marroquino.
O dado é atribuído à diretora do serviço de Proteção Civil de Lisboa, Margarida Castro Martins.
O ministro espanhol de Relações Exteriores, Jose Manuel Albares, disse que dois espanhóis feridos no acidente já receberam alta.
A BBC News Brasil confirmou que um brasileiro ferido já recebeu alta.
A imprensa portuguesa noticiou que uma família alemã estava a bordo do Elevador da Glória quando ocorreu o acidente. Pai, mãe e um menino de três anos foram resgatados. A criança teve ferimentos leves.
Inicialmente acreditava-se que o pai alemão havia morrido no acidente. Mas segundo a CNN Portugal, a família de Hamburgo conseguiu localizar o homem internado em um hospital.
Os familiares das vítimas teriam inicialmente tentado identificar seu parente entre os corpos das vítimas no Instituto de Medicina Legal, mas não conseguiram. Posteriormente, após mostrarem a foto do homem a um policial no centro de Lisboa, foram informados que ele estava internado no Hospital de São José.
Segundo a CNN Portugal, além do homem de 46 anos, a mãe do menino, de 45 anos, também está internada, em estado crítico, mas estável, em outro hospital da capital.

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O sindicato português Sitra, do setor de transportes, confirmou a identidade de uma das vítimas: o português André Marques, funcionário da empresa que opera o bondinho. Ele trabalhava controlando o sistema de freios do veículo.
Entre os feridos, as idades das pessoas seriam de 24 a 65 anos, além da criança de três anos, segundo o Observador.
3. Quantas pessoas estavam a bordo
Ainda não está claro quantos dos mortos e feridos estavam no bondinho e quantos eram pedestres.
O presidente da Carris, Pedro de Brito Bogas, disse em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (4/9) que ainda não era possível confirmar o número de passageiros no momento do acidente, posto que a contagem de bilhetes vendidos é insuficiente para se ter certeza.
Ele disse, porém, acreditar que o bondinho estava com menos passageiros do que sua capacidade máxima.
O Elevador da Glória tem capacidade para transportar até 42 passageiros e é extremamente popular entre os turistas.
Assim como os outros elevadores da cidade, o bondinho é utilizado pela população local, mas também é extremamente popular entre os turistas — e, neste fim do verão na Europa, a capital portuguesa ainda recebe muitos visitantes.
A viagem de subida e descida custa 4,20 euros (cerca de R$ 27).
Os mais de 20 feridos estão distribuídos em cinco hospitais diferentes de Lisboa e arredores.














