Brasileiro está entre feridos em acidente de bondinho em Lisboa que matou ao menos 16

Acidente de bondinho em Portugal

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Acidente de bondinho deixou 16 mortos e mais de 20 feridos
    • Author, Daniel Gallas
    • Role, Da BBC News Brasil em Londres
  • Tempo de leitura: 6 min

Um brasileiro está entre os feridos no descarrilamento do Elevador da Glória, o famoso bondinho de Lisboa, em Portugal, que deixou ao menos 16 mortos na quarta-feira (3/9).

A informação foi confirmada à BBC News Brasil pelo cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Warley Candeas.

O consulado brasileiro não divulgou a identidade do brasileiro — e nem se ele é turista ou residente em Portugal. Ele foi atendido no Hospital Amadora-Sintra e já recebeu alta.

Na noite de quarta-feira, o Itamaraty havia divulgado nota na qual afirmou não haver vítimas brasileiras no acidente.

"Esta é uma das maiores tragédias humanas da nossa história recente", disse o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, nesta quinta-feira (4/9).

Ele afirma que, de acordo com as informações mais recentes, pode confirmar que 16 pessoas morreram e cinco estão em estado crítico nos hospitais.

As autoridades de Lisboa haviam informado anteriormente um total de 17 mortes.

A BBC apurou que houve um erro por parte da Proteção Civil de Lisboa, que informou que o número havia subido para 17.

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A diretora do Serviço confirmou à BBC que o número de mortos é 16. A imprensa local atribuiu o erro a um registro duplicado de uma vítima em um dos hospitais.

Mais de 20 pessoas ficaram feridas. Segundo autoridades de Lisboa, cinco pessoas estão em estado grave. O jornal português Observador afirma que as pessoas feridas têm idades entre 24 e 65 anos — mas que há também uma criança de 3 anos, que teria tido ferimentos leves.

O acidente aconteceu na quarta-feira por volta das 18h15 no horário local (14h15 no horário de Brasília).

Testemunhas disseram que um cabo de segurança se rompeu. Foram abertas investigações pelas autoridades portuguesas e também pela empresa Carris, que administra o bonde.

A agência de notícias portuguesa Lusa disse que os órgãos de investigação já concluíram as avaliações no local do acidente e publicarão os primeiros resultados na sexta-feira.

O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, disse que se não fosse pelo trabalho dos socorristas, a tragédia poderia ter sido ainda maior.

"Portugal é e sempre foi uma nação feita de coragem", disse Montenegro em pronunciamento ao lado do prefeito de Lisboa, Carlos Moedas. "Portugal está unido."

O prefeito de Lisboa disse que ainda é cedo para divulgar informações, mas que a Carris — empresa que gere o funicular — foi solicitada a abrir duas investigações: uma interna e outra externa.

Ainda não foram divulgados maiores detalhes sobre as 16 pessoas que morreram no acidente.

A única vítima que teve sua identidade divulgada até agora foi André Marques, funcionário português da Carris que controlava o freio do veículo que se acidentou. A Carris disse que ele era um "profissional dedicado, gentil e feliz".

"Nos seus 15 anos na Carris, desempenhou as suas funções com excelência", disse a empresa em comunicado.

O prefeito de Lisboa, Carlos Moedas, e o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro

Crédito, EPA

Legenda da foto, O prefeito de Lisboa, Carlos Moedas, e o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, elogiaram o trabalho dos socorristas

Uma família alemã de três pessoas estaria a bordo quando o bondinho bateu. Pai, mãe e um menino de três anos foram resgatados. A criança teve ferimentos leves.

Inicialmente acreditava-se que o pai alemão havia morrido no acidente. Mas segundo a CNN Portugal, a família de Hamburgo conseguiu localizar o homem internado em um hospital.

Além do homem de 46 anos, a mãe do menino, de 45 anos, também está internada, em estado crítico, mas estável, em outro hospital da capital.

A imprensa portuguesa também noticiou que um homem na casa dos 50 anos e uma mulher na casa dos 40 — ambos funcionários da Santa Casa da Misericórdia em Lisboa — morreram.

Serviços de emergência disseram que entre os feridos estão sete homens e oito mulheres, com cidadãos portugueses e estrangeiros.

As autoridades portuguesas disseram que havia 10 nacionalidades entre os feridos: quatro portugueses, dois alemães, dois espanhóis, um sul-coreano, um cabo-verdiano, um canadense, um italiano, um francês, um suíço e um marroquino.

Posteriormente a BBC News Brasil confirmou que havia também um brasileiro entre os feridos — que já recebeu alta.

O hospital de São José informou que uma mulher grávida estava entre os feridos, mas já recebeu alta. O governo da Espanha disse que dois espanhóis envolvidos no acidente também já receberam alta.

A Câmara Municipal de Lisboa suspendeu outras três linhas na cidade enquanto são realizadas inspeções.

A diretora do Serviço de Proteção Civil de Lisboa, Margarida Castro Martins, afirmou que as operações dos elevadores da Bica e do Lavra e do bondinho da Graça foram suspensas.

O presidente da Carris, Pedro de Brito Bogas, confirmou em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (4/9) que todos os funiculares de Lisboa estão atualmente suspensos para inspeções técnicas, que irão acontecer nos próximos dias.

Questionado se o Elevador da Glória poderá ser recuperado, Bogas afirmou que o vagão específico envolvido no acidente não, mas a linha permanecerá ativa e será reaberta com um novo vagão.

Bogas disse ainda que não pode dar um prazo específico para quando as investigações sobre o acidente serão concluídas e quando os resultados serão divulgados, mas que será o mais breve possível, para que se possa descobrir o que aconteceu, lidar com a questão e encontrar uma solução.

Ele afirmou também que a Carris aumentou seus gastos com manutenção nos últimos anos, mais do que dobrando essas despesas entre 2015 e 2025.

'Como caixa de papelão'

O acidente ocorreu às 18h15 no horário local (14h15 em Brasília), perto da Avenida da Liberdade, uma das principais de Lisboa.

Não está claro quantos dos mortos e feridos estavam no bondinho e quantos eram pedestres.

Vários feridos precisaram ser resgatados das ferragens do bondinho acidentado.

Uma mulher que testemunhou o acidente disse à emissora portuguesa SIC que o bonde bateu contra um edifício enquanto descia a rua íngreme "a toda velocidade".

"Ele atingiu um prédio com força brutal e desabou como uma caixa de papelão. Não parecia ter freios", contou.

Outra testemunha disse ao jornal português Observador que o veículo estava "descontrolado, sem freios".

"Todos nós começamos a correr porque achamos que (o bonde) ia bater no que estava lá embaixo", disse Teresa d'Avó.

"Mas ele caiu na curva e bateu em um prédio."

O histórico Elevador da Glória, inaugurado em 1885, liga a região da Praça dos Restauradores, no coração da capital portuguesa, ao boêmio Bairro Alto. O percurso é de 275 metros e é feito em três minutos.

Oficialmente chamado de "Ascensor da Glória", o bondinho leva 22 pessoas sentadas e 20 em pé e é um símbolo lisboeta.

Atualmente, há dois veículos em operação, segundo a Carris, empresa municipal de transporte público de Lisboa.

Assim como os outros elevadores da cidade, o bondinho é utilizado pela população local, mas também é extremamente popular entre os turistas — e, neste fim do verão na Europa, a capital portuguesa está recebendo muitos visitantes.

Mapa do bondinho

Em maio de 2018, o Elevador da Glória já havia descarrilado, mas sem deixar vítimas.

Em comunicado após o acidente, a Carris lamentou os acidentes e disse que "foram realizados e respeitados todos os protocolos de manutenção".

Segundo a empresa, os programas de manutenção mensal, semanal e a inspeção diária têm sido cumpridos.

"A Carris abriu de imediato um inquérito em conjunto com as Autoridades para apurar as reais causas deste acidente", encerra o comunicado.

Pedro Bogas, presidente da Carris, emitiu uma declaração à imprensa: "Temos protocolos rigorosos, excelentes profissionais há muitos anos, e precisamos entender o que aconteceu."

Com informações de Jacqueline Howard e Matt Spivey, de Londres, e Alice Cuddy, de Lisboa.