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Última actualização: 11 Setembro, 2007 - Publicado em 21:17 GMT
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ONG portuguesa abre centro contra HIV em Bissau

ONG já presta apoio domiciliário em Bissau
Apoio domiciliário em Bissau
A falta de médicos e de enfermeiros na Guiné Bissau é apontado como um dos maiores constrangimentos na luta contra o vírus HIV-SIDA.

Mas este é apenas um dos muitos desafios, entre outros de cariz social, económico e cultural, para o futuro centro de aconselhamento e despistagem do vírus do SIDA que uma ONG portuguesa, a INDE, Intercooperação e Desenvolvimento, está a criar na capital guineense.

À frente deste centro vai estar um médico guineense, que recentemente visitou Lisboa para recolher experiências em algumas organizações e cuja colaboração com a INDE já vem de trás, quando no âmbito do projecto Crianças Trabalhadoras das Ruas de Bissau, prestava assistência médica gratuita a estas crianças.

Centro de Despistagem

O Dr Adamou Djibo encontra-se a preparar o arranque do futuro centro de despistagem na Guiné, onde a INDE foi recentemente premiada pela Fundação GlaxoSmithKline pelo seu projecto 'Apoio à Vida contra o SIDA', em Bissau.

O Dr Adamou Djibo explicou que a sua colaboração com a INDE "começou como um tratamento médico para as crianças que a Inde está a apoiar. São crianças menores de rua. E a partir daí estabeleci uma relação íntima com a ONG INDE. Eles escolheram-me como médico destas crianças que a INDE apoia. Foi assim que começou a minha relação com a INDE."

Sobre a sua visita a Portugal para recolher experiências, o Dr Djibo explicou que "foi muita boa, frutífera, pois levaram-me a visitar alguns centros de saúde, bem como algumas mesiricórdias, que dão assistência a doentes com HIV. Foi uma experiencia que ganhei e que agora talvez possa trazer para Bissau. Espero tratar de a implementar aqui, de acordo com a nossa realidade."

Em resposta à forma com se vai processor este projecto em Bissau, o Dr Adamou Djibo disse que "em princípio, temos um local que a INDE disponibilizou aqui mesmo em Bissau para fazer despistagem e aconselhamento sobre o HIV. Numa primeira fase vai decorrer, digamos assim, com os utentes da INDE, que são criancas, adolescentes, de 14, 15 e 16 anos, que é a idade de fertilidade das criancas, sobretudo femininas".

Constrangimentos

Mas o dia-a-dia no terreno para um especialista nesta área está repleto de constrangimentos, como explicou à BBC o Dr Hélder Santiago, da INDE, na capital guineense, e a quem perguntámos porque é que a INDE havia escolhido Bissau:

Logotipo da INDE
Centro da INDE deverá abrir em breve

"A INDE já está em Bissau desde o ano 2000, tem vindo a desenvolver vários projectos. É um país irmão, de língua portuguesa, e um país onde a INDE, amiúde, ao longo do tempo, foi tendo contactos com parceiros locais, foi apoiando na elaboração e implementação de projectos".

"Às tantas", adiantou Hélder Santiago, "proporcionou-se a INDE ter uma acção mais directa no terreno, embora sempre em parceria com organizações locais e daí que tenhamos estabelecido uma delegação na Guiné-Bissau".

O Dr Hélder Santiago explicou ainda que "quem faz o apoio domiciliário não são médicos, são pessoas da própria comunidade. Os médicos pertencem aos centros de aconselhamento e despistagem. Por norma são as nossas activistas que se encontram com os pacientes e depois nós temos reuniões semanais com as activistas e com um psicólogo para debater como é que as coisas estão a funcionar".

Mas os constrangimentos são muitos, diz Hélder Santiago: "Nós temos a perfeita noção que a nossa acção é muito positiva e de grande ajuda para as pessoas, mas ainda assim há muita coisa por fazer".

"Há uma grande preocupação em não divulgar que se é portador do HIV-SIDA, porque quando se torna do conhecimento geral que uma pessoa é portadora do vírus, ela está sujeita a grande segregação, desde logo por parte da própria família, e esse é um dos aspectos principais e ao qual nós temos de prestar uma atenção permanente".

Hélder Santigo disse também que "as pessoas não tem dinheiro para adquirir medicamentos de combate as 'doenças oportunistas', para já não falar dos tratamentos anti-retrovirais que é muito difícil de implementar, as pessoas não têm sequer capacidade para ter uma alimentação adequada".

A agravar, diz o especialista da INDE, "está o facto de recentemente o PAM (Programa Alimentar Mundial) ter cortado o apoio que dava em termos de alimentação através dos centros de aconselhamento e despistagem."

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