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Última actualização: 20 Abril, 2006 - Publicado em 16:49 GMT
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Brasileiros voltam a adoptar a gasolina

Bomba de gasolina
O Brasil é o principal produtor mundial de etanol - um combustível à base de alcool extraído da cana-de-açúcar.

O etanol é promovido como um 'combustível limpo', mas os seus preços aumentaram tanto que os motoristas brasileiros estão novamente a usar combustíveis convencionais.

Entretanto, há acusações de que os produtores de cana-de-açúcar estariam a operar um cartel secreto para inflacionar artificialmente os custos.

A produção de mais etanol para forçar uma redução do seu preço significaria a produção de mais cana-de-açúcar.

E isso, de acordo com ambientalistas, poderá levar à destruição de ecossistemas vulneráveis.

Nas vastas regiões do interior do Brasil, trabalhadores sazonais cortam a cana-de-açúcar com catanas.

Oceano verde

Esta área, 400 quilómetros a norte da cidade de São Paulo, é como um oceano verde; a sua produção de cana-de-açúcar representa cerca de 10% do mercado mundial.

 É como se fossem a OPEP do etanol. A OPEP reúne-se e estabelece o preço de petróleo que mais lhe convém. Os produtores de etanol no Brasil fazem o mesmo
José Alberto Gouveia, da Associação das Estações de Combustíveis

Gigantescos camiões transportam, cada um, 40 toneladas de cana da nova colheita para uma das muitas fábricas que dominam a monótona paisagem.

Quando o sumo é extraído da cana, duas linhas de produção separadas transformam-no em açúcar e em etanol. As quantidades de um e de outro são decididas pelos proprietários das fábricas.

O etanol representa para os brasileiros o que o petróleo bruto representa para o resto do mundo.

Bomba de gasolina
Brasileiros optam novamente pela gasolina devido ao preço do etanol

Mas a recente redução na produção de etanol está a ser sentida pelos motoristas nas bombas de combustíveis por todo o Brasil. O etanol custa agora pouco menos do dobro do que custava há um ano.

Mas como a maioria dos novos carros brasileiros podem usar tanto etanol como gasolina, muitos motoristas estão novamente a adoptar a gasolina.

"Penso que o etanol é mais caro se comparado à gasolina - que é mais rentável. Se abastecer o meu carro com gasolina na segunda-feira só volta a abastecê-lo uma semana mais tarde. Com o etanol tenho de voltar a encher o depósito na quinta-feira", disse-me um motorista.

Cartel

O presidente da Associação das Estações de Combustíveis de São Paulo, José Alberto Gouveia, diz que os poderosos produtores de cana-de-açúcar estão, deliberadamente, a manter altos os preços do etanol para conseguir mais lucros.

"É como se fossem a OPEP do etanol. A OPEP, o maior cartel do mundo, reúne-se e estabelece o preço de petróleo que mais lhe convém. Aqui no Brasil são as companhias de produção de açúcar que têm as suas reuniões com as duas associações que controlam 70% do mercado."

Mas o presidente da Associação Brasileira de Açúcar, Eduardo de Carvalho, acha risível a alegação de existência de um cartel.

Floresta Amazónica
O Brasil vai destruir mais florestas para plantar mais cana-de-açúcar

Segundo ele, o etanol está temporariamente caro devido às fracas colheitas de cana-de-açúcar no ano passado. A longo prazo, diz, os preços têm sido muito competitivos.

"Se tivéssemos um cartel os preços não seriam tão baixos. Temos mais de 300 produtores no Brasil. O maior produtor controla menos de 8% do mercado."

Desflorestação

Num aspecto está toda a gente de acordo: as companhias açucareiras no Brasil vão criar muito mais plantações e fábricas para fornecer um mercado mundial desesperadamente à procura de mais açucar e etanol.

 Se tivéssemos um cartel os preços não seriam tão baixos. Temos mais de 300 produtores no Brasil. O maior produtor controla menos de 8% do mercado
Eduardo de Carvalho, presidente da Associação Brasileira de Açúcar

Jacqueline Guerk, da ONG Birdlife International, diz tratar-se de uma perspectiva preocupante porque o último boom de etanol, nos anos 80, viu a destruição generalizada das poucas florestas que restavam no nordeste brasileiro.

"O receio é que em vez de substituirem as actuais plantações de outros cultivos por plantações de cana-de-açúcar, novas porções das florestas brasileiras possam ser destruídas para satisfazer a procura de etanol."

As açucareiras dizem que a maior parte da expansão abrangerá áreas de pastagem de gado, mas admitem que algumas florestas terão de ser derrubadas.

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