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Brasileiros voltam a adoptar a gasolina | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Brasil é o principal produtor mundial de etanol - um combustível à base de alcool extraído da cana-de-açúcar. O etanol é promovido como um 'combustível limpo', mas os seus preços aumentaram tanto que os motoristas brasileiros estão novamente a usar combustíveis convencionais. Entretanto, há acusações de que os produtores de cana-de-açúcar estariam a operar um cartel secreto para inflacionar artificialmente os custos. A produção de mais etanol para forçar uma redução do seu preço significaria a produção de mais cana-de-açúcar. E isso, de acordo com ambientalistas, poderá levar à destruição de ecossistemas vulneráveis. Nas vastas regiões do interior do Brasil, trabalhadores sazonais cortam a cana-de-açúcar com catanas. Oceano verde Esta área, 400 quilómetros a norte da cidade de São Paulo, é como um oceano verde; a sua produção de cana-de-açúcar representa cerca de 10% do mercado mundial. Gigantescos camiões transportam, cada um, 40 toneladas de cana da nova colheita para uma das muitas fábricas que dominam a monótona paisagem. Quando o sumo é extraído da cana, duas linhas de produção separadas transformam-no em açúcar e em etanol. As quantidades de um e de outro são decididas pelos proprietários das fábricas. O etanol representa para os brasileiros o que o petróleo bruto representa para o resto do mundo.
Mas a recente redução na produção de etanol está a ser sentida pelos motoristas nas bombas de combustíveis por todo o Brasil. O etanol custa agora pouco menos do dobro do que custava há um ano. Mas como a maioria dos novos carros brasileiros podem usar tanto etanol como gasolina, muitos motoristas estão novamente a adoptar a gasolina. "Penso que o etanol é mais caro se comparado à gasolina - que é mais rentável. Se abastecer o meu carro com gasolina na segunda-feira só volta a abastecê-lo uma semana mais tarde. Com o etanol tenho de voltar a encher o depósito na quinta-feira", disse-me um motorista. Cartel O presidente da Associação das Estações de Combustíveis de São Paulo, José Alberto Gouveia, diz que os poderosos produtores de cana-de-açúcar estão, deliberadamente, a manter altos os preços do etanol para conseguir mais lucros. "É como se fossem a OPEP do etanol. A OPEP, o maior cartel do mundo, reúne-se e estabelece o preço de petróleo que mais lhe convém. Aqui no Brasil são as companhias de produção de açúcar que têm as suas reuniões com as duas associações que controlam 70% do mercado." Mas o presidente da Associação Brasileira de Açúcar, Eduardo de Carvalho, acha risível a alegação de existência de um cartel.
Segundo ele, o etanol está temporariamente caro devido às fracas colheitas de cana-de-açúcar no ano passado. A longo prazo, diz, os preços têm sido muito competitivos. "Se tivéssemos um cartel os preços não seriam tão baixos. Temos mais de 300 produtores no Brasil. O maior produtor controla menos de 8% do mercado." Desflorestação Num aspecto está toda a gente de acordo: as companhias açucareiras no Brasil vão criar muito mais plantações e fábricas para fornecer um mercado mundial desesperadamente à procura de mais açucar e etanol. Jacqueline Guerk, da ONG Birdlife International, diz tratar-se de uma perspectiva preocupante porque o último boom de etanol, nos anos 80, viu a destruição generalizada das poucas florestas que restavam no nordeste brasileiro. "O receio é que em vez de substituirem as actuais plantações de outros cultivos por plantações de cana-de-açúcar, novas porções das florestas brasileiras possam ser destruídas para satisfazer a procura de etanol." As açucareiras dizem que a maior parte da expansão abrangerá áreas de pastagem de gado, mas admitem que algumas florestas terão de ser derrubadas. | LINKS EXTERNOS A BBC não é responsável pleo conteúdo de sítios externos da internet | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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