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Última actualização: 08 Março, 2006 - Publicado em 17:27 GMT
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Sudaneses contra planos da ONU para Darfur
Mulheres sudanesas erguem cartazes em manifestação na capital Cartum, no dia 8 de Março, contra destacamento de forças da ONU para a região de Darfur
Planos da ONU descritos como tentativa de ataque à soberania do Sudão
Milhares de manifestantes concentraram-se nas ruas da capital sudanesa, Cartum, em protesto contra a intenção das Nações Unidas de tomar o controlo das operações de manutenção de paz na conturbada região de Darfur.

Na Europa decorrem entretanto negociações sobre o futuro da região. A missão de paz tem estado até hoje, nas mãos dos soldados da paz da União Africana.

Segundo o correspondente da BBC em Cartum, os ânimos foram incendiados por uma série de artigos publicados em jornais Islâmicos, de teor algo violento, sugerindo que os planos da ONU representavam uma ameaça à soberania do Sudão.

Protestos paralisam capital

Cartum despertou em ebulição, com manifestantes entoando slogans contra o Ocidente e paralisando a cidade capital do Sudão. Entre os manifestantes encontravam-se membros de milícias apoiadas pelo governo Sudanês.

Os manifestantes opõem-se ao envio de cerca de 10,000 capacetes azuis para o Sul e Leste do Sudão, em missão destinada a apoiar o processo de paz naquela região.

"A América, o Reino Unido e outros não percebem o que nós queremos. Não existe nenhum problema, e se existe, nós, os Sudaneses, podemos solucioná-lo sózinhos", disse um manifestante à BBC.

Braço-de-ferro

Na base dos protestos encontram-se receios de um ataque à soberania do país.
Acusação que o chefe da diplomacia da União Europeia, Javier Solana, já negou aos microfones da BBC.

 Queremos prestar ajuda económica e logística às forças já estacionadas na região, que são insuficientes; e o que estamos a sugerir é o recrutamento de mais forças das Nações Unidas
Javier Solana, chefe da diplomacia da União Europeia

Para Solana, a região de Darfur, onde os campos de deslocados internos continuam a albergar cerca de dois milhões de Sudaneses em situação precária, necessita do apoio das Nações Unidas.

"Queremos prestar ajuda económica e logística às forças já estacionadas na região, que julgamos serem insuficientes, e como tal o recrutamento de mais forças das Nações Unidas", explicou o chefe da diplomacia Europeia.

Mas o governo do Sudão opõe-se à intervenção da ONU e há já quem receie que este plano, caso seja levado àvante, possa conduzir a uma jihad, ou guerra santa, contra as Nações Unidas.

O embaixador Sudanês em Londres, Hassan Abdin, expôs a posição do seu país dizendo, "até agora a União Africana tem lidado muito bem, e pela primeira vez, com um problema que é Africano, sem necessitar de ajuda externa."

O embaixador Sudanês acrescentou que para o seu país a solução residia na oferta de mais apoio à União Africana, ao invés do envio apenas de novas ou mais tropas para a região de Darfur.

Darfur em discussão

Organizações internacionais continuam a alertar para a precaridade da situação em Darfur

Em Bruxelas, estiveram reunidos esta Quarta-Feira altos responsáveis da diplomacia internacional para discutir o futuro das operações de paz no Sudão, onde a União Africana tem estacionada uma força de paz de 7,000 soldados.

A decisão final sobre a transferência ou não do controlo da força de manutenção de paz em Darfur da União Africana para as Nações Unidas deverá ser anunciada na Sexta-Feira.

Espera-se a oposição firme do governo Sudanês à intervenção da ONU, mas existe consenso sobre a urgência de uma solução para este problema, o mais rápidamente possível.

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