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Última actualização: 18 Janeiro, 2006 - Publicado em 04:35 GMT
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Partido marfinense abandona processo nacional de paz
Manifestação diante do edifício da ONU em Abidjan
O partido no poder na Costa do Marfim anunciou a sua saída do governo de transição e das negociações de paz mediadas pelas Nações Unidas.

O anúncio foi feito quando, pelo segundo dia consecutivo, apoiantes do Presidente Laurent Gbagbo realizaram manifestações de protesto.

Eles queixam-se de "interferências" da ONU e da França - a antiga potência colonial - nos assuntos internos do seu país.

Pascal Affi N'Guessan, o líder do FPI, no poder, disse à BBC que a comunidade internacional falhara na Costa do Marfim e pediu a retirada do contingente de 10 mil soldados franceses e da ONU estacionado no seu país.

A violência dos últimos dois dias foi despoletada por um pedido da ONU para que o Parlamento Nacional fosse dissolvido - uma vez que o seu mandato expirou em Dezembro.

Eleições canceladas

Deveriam ter sido realizadas novas eleições, mas o exercício foi cancelado pelo Presidente Gbagbo, que invocou uma lei que lhe permite continuar no poder.

O Parlamento marfinense é dominado pelo partido governante, o FPI, que foi forçado a partilhar o poder com a oposição ao abrigo do último acordo de paz.

Abdon Bayeto, o representante do FPI em Londres, diz não haver justificação para que as negociações de paz se arrastem há já 3 anos.

"Sabemos que a França está por detrás de tudo o que se está a passar na Costa do Marfim. Não conseguimos entender porque razão a ONU pediu a dissolução do Parlamento. Temos uma Constituição e um Supremo Tribunal que dizem que o Parlamento pode permanecer em funções por mais um ano".

O Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, pediu o fim imediato da "violência orquestrada contra as Nações Unidas e contra a população marfinense".

Grupos de manifestantes continuam diante do edifício da ONU na cidade de Abidjan.

País paralizado

Foram erguidas barricadas e bombas artesenais foram lançadas contra um escritório da polícia da ONU na cidade de San Pedro.

Margarita Amodeo, a porta-voz da Missão das Nações Unidas na Costa do Marfim disse à BBC que, nos últimos dias, o país esteve praticamente paralizado.

"Foram erguidas barricadas nas ruas de várias cidades do Sul do país. Houve várias manifestações devido fundamentalmente às recomendações que o Grupo Internacional de Trabalho fez ao governo marfinense. Essas manifestações levaram à destruição de propriedade e à obstrução da liberdade de movimentos".

O Secretário-Geral das Nações Unidas disse que a violência na Costa do Marfim colocava o processo de paz em sério perigo.

Ele lembrou a todos os líderes marfinenses que eram responsáveis pela violência levada a cabo pelos seus respectivos apoiantes.

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04 Novembro, 2005 | Notícias
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