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Moçambique publica estudo sobre a pobreza | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em Moçambique, é ainda longo o caminho a percorrer no combate á pobreza absoluta. Esta a principal conclusão do Relatório Anual da Pobreza hoje lançado no país. Trata-se da primeira iniciativa do género na história moçambicana e conta com o envolvimento de um grupo congregando sindicatos, organizações não governamentais, religiosas e empregadoras. Trata-se de um estudo que abrangeu mas de dez mil cidadãos e perto de uma centena de organizações da sociedade civil. De entre os objectivos da pesquisa constam a avaliação da evolução das percepções sobre a pobreza e sobre o impacto dos esforços de desenvolvimento ora em curso, para além da monitoria do que é descrito como evolução do aumento e distribuição da riqueza em Moçambique. Sintomas de pobreza O relatório ora divulgado apresenta alguns indicadores ou sintomas de pobreza que servem para ilustrar da melhor maneira aquilo que é o cenário actual em Moçambique. Afirma, por exemplo, que mais de cinquenta por cento dos inquiridos neste estudo queixam-se de insegurança alimentar, ou seja, não tiveram comida suficiente nos últimos doze meses. A insuficiência de alimentos nos últimos doze meses, figura como um dos mais mais gritantes sintomas de pobreza. Por outro lado, menos de metade deste mesmo universo de inquiridos tem dificuldades de acesso a água potável. Incapacidade financeira E mais: acima de metade das pessoas que se dirigem aos postos de saúde não têm capacidade financeira que lhes permita adquirir os medicamentos que lhes são receitados. Dados mais do que suficientes para concluir que pobreza absoluta continua a ser a maior prioridade de Moçambique, não obstante o número de pessoas obrigadas a sobreviver com o equivalente a menos de um dólar por dia, ter sofrido uma queda de cerca de setenta para cinquenta e cinco por cento nos últimos cinco anos, segundo os últimos dados oficiais. A relação entre HIV/SIDA e a pobreza ou vice versa acabou igualmente por merecer, de forma quase que inevitável, várias referências neste estudo. Um pormenor certamente a apontar em relação a este estudo tem a ver com o facto de entre as dimensões da pobreza identificada constar as de índole política. A este respeito é significativo o pormenor de que apenas trinta e cinco por cento dos entrevistados tenham estado envolvidos na resolução de problemas locais, indicativo da centralização que ainda caracteriza a estrutura e o funcionamento deste país. |
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