Imperfeitas e convincentes: como são as novas super-heroínas de Hollywood

Vivida pela israelense Gal Gador, nova Mulher Maravilha deve roubar a cena em 'Batman Vs Superman'

Crédito, Warner Bros

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    • Author, Jennifer Keishin Armstrong
    • Role, Da BBC Culture

No primeiro episódio da série Jessica Jones, do Netflix, inspirada nos quadrinhos da Marvel, a personagem principal diz a seu parceiro Luke Cage, que também tem superpoderes: “Eu não flerto. Eu digo o que quero.”

Algumas cenas explícitas depois, fica claro que Jessica, vivida pela atriz Krysten Ritter, é uma super-heroína bem diferente da Mulher Maravilha e da Mulher Biônica dos anos 70: ela não só não é obrigada a usar roupas sexy nem vive à sombra do namorado, como também não foge da palavra “estupro” quando um vilão controlador usa seu superpoder para coagi-la.

Até poucos anos atrás, heroínas eram mais sensualizadas mas não faziam sucesso nas bilheterias

Crédito, Warner Bros

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Jessica Jones é apenas um exemplo de uma novo tipo de super-heroína invadindo a TV e o cinema: uma mulher com superpoderes convincente e que funciona mais para inspirar a audiência feminina do que para deleitar o público masculino.

Quando os super-heróis estouraram nas bilheterias, nos anos 2000, houve apostas em mulheres, mas sem muito sucesso. Halle Berry como a Mulher Gato e Jennifer Garner como Elektra sofreram com roteiros confusos que exigiam sensualização máxima.

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Vespa, Supergirl e Capitã Marvel

Inspirada em heroína da Marvel, Jessica Jones apresenta defeitos que a tornam convincente

Crédito, Netflix

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Nos últimos anos, Hollywood andou pisando em ovos até conseguir chegar em um novo tipo de super-heroína. Em Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, de 2012, Anne Hathaway assume uma Mulher Gato mais esperta – e mais vestida. Não é desprovida de sexualidade, mas serve mais à trama do que como um simples colírio.

No mesmo ano, Os Vingadores trouxe uma Viúva Negra mais poderosa, vivida por Scarlett Johansson. Agora, os estúdios parecem estar finalmente acertando a mão na hora de criar protagonistas mais cativantes.

A nova versão da Mulher Maravilha, vivida pela israelense Gal Gadot, roubou a cena dos personagens principais do aguardado lançamento Batman Vs Superman – A Origem da Justiça. A moça também ganha seu próprio filme no ano que vem.

Além de Jessica Jones, a TV também nos trouxe a série de espionagem da Marvel Agent Carter, assim como uma Supergirl que é declaradamente feminista.

No mundo muçulmano, a série de animação Burka Avenger é um hit no canal Nickelodeon, com sua protagonista também estrelando um game para celular e um álbum de músicas.

Em 2018, a Marvel Studios deve lançar seu primeiro filme com o nome de uma personagem feminina no título, Ant-Man and the Wasp (“Homem-Formiga e a Vespa”, em tradução literal), com a Vespa vivida por Evangeline Lilly, mais conhecida como a Kate da série Lost.

A Capitã Marvel também terá seu próprio filme – sim, uma personagem tida pelos especialistas em quadrinhos como a mais durona das mulheres da Marvel e talvez até a mais superpoderosa de todos os super-heróis.

Até os Caça-Fantasmas vão voltar para as telas com as mulheres dominando os papéis principais.

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Clube do Bolinha

Em lançamento de 2018, a Vespa será vivida por Evangeline Lilly, de 'Lost'

Crédito, Marvel Studios

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Esse recente dilúvio de super-heroínas pode ter ocorrido rapidamente nos últimos anos. Mas Hollywood levou décadas para chegar até aqui nesse aspecto.

A invasão dos e-mails da Sony por hackers, em 2014, revelou que o CEO da Marvel Ike Perlmutter chamou os “filmes para mulheres” de “desastres”.

Mas o presidente da empresa, Kevin Feige, insistiu em realizar mais produções com protagonistas femininas. “As pessoas não assistiram aos filmes do passado porque os filmes não eram bons, e não porque a heroína era mulher”, disse ele. “E o que dizer de Jogos Vorazes, Frozen – Uma Aventura Congelante e Divergente?”.

A nova leva de super-heroínas, simbolizada por Jessica Jones e a Mulher Maravilha, parou de posar para os olhares masculinos. É claro que as atrizes continuam sendo incrivelmente lindas. Mas Jessica luta contra seus vilões vestida como qualquer garota urbana: jeans, camiseta, jaqueta de couro e botas.

A nova Mulher Maravilha ainda usa seu indefectível maiô, mas está mais para Beyoncé no Super Bowl do que para modelo da Victoria’s Secret. As Caça-Fantasmas surgirão com o mesmo uniforme de seus predecessores.

Além disso, as atrizes escaladas para esses papéis costumam atrair uma legião de fãs mulheres. E mais: há cada vez mais mulheres trabalhando nos bastidores para criar essas super-heroínas.

Jessica Jones foi concebida por Melissa Rosenberg, antiga roteirista de Dexter. Supergirl contou com a colaboração da escritora Allison Adler. As Caça-Fantamas vieram da cabeça de Katie Dippold e são o resultado de um esforço para ter uma maioria de mulheres na produção.

Finalmente, outro elemento particularmente importante é o fato de essas heroínas terem defeitos como qualquer outro super-herói. Enquanto a Mulher Gato e Elektra eram perfeitas – e irreais -, Jessica Jones é uma alcoólatra com medo de compromissos amorosos, por exemplo.

Apesar de ainda não sabermos muito sobre a personalidade da nova Mulher Maravilha, o trailer de Batman Vs Superman nos mostra Gadot dizendo ao Bruce Wayne de Ben Affleck: “Você nunca vai conhecer uma mulher como eu”. Esperemos que isso seja verdade – não só para ela como para todas as super-heroínas que ainda estão por vir.

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  • <italic><bold>Leia a <link type="page"><caption> versão original</caption><url href="http://www.bbc.com/culture/story/20160311-the-female-superhero-is-finally-here" platform="highweb"/></link> desta reportagem (em inglês) no site <link type="page"><caption> BBC Culture</caption><url href="http://www.bbc.com/culture" platform="highweb"/></link>.</bold></italic>