A vida no maior campo de refugiados do mundo

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    A casa de Kamroo, de 12 anos, fica em uma colina.
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    É feita de bambu e retalhos de plástico.
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    Ela mora com a avó no maior campo de refugiados do mundo - em Cox’s Bazar,
    no sudeste de Bangladesh.
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    As fortes chuvas de monção e tempestades ameaçam derrubar sua casa
    e arrastá-la pela encosta íngreme hoje enlameada.
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    “Não gosto de morar aqui - é muito difícil,” diz Kamroo. “Eu trabalho o tempo todo
    e não consigo brincar muito."
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    A menina passa a maior parte do dia cuidando da avó de 60 anos, Amina.
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    Ela sai em busca de água e combustível, vai ao mercado comprar comida
    e prepara as refeições.
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    Para isso, Kamroo anda 1km descalça todos os dias nos arredores do acampamento improvisado - um extenso labirinto de barrancos e colinas.
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    Muitas outras famílias enfrentam dificuldades parecidas.
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    Quase um milhão de pessoas vivem nas apertadas moradias temporárias
    dos campos de refugiados de Cox's Bazar.

    Fonte do mapa: Inter Sector Coordination Group, Reach Initiative, Unicef

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    O megacampo de Kutupalong, onde Kamroo mora, é o maior, abrangendo uma área de 13 km². Dividido em acampamentos administrativos menores, é o lar de mais de 600 mil pessoas.

    Fonte do mapa: Inter Sector Coordination Group, Reach Initiative, Unicef

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    Muitas residências temporárias são construídas em locais precários. Cerca de 200 mil pessoas, quase uma em cada cinco, vivem em áreas de risco por causa das chuvas de monção.

    Fonte do mapa: Inter Sector Coordination Group, Reach Initiative,Unicef

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    Milhares de incidentes relacionados às monções, como deslizamentos de terra e enchentes, já afetaram quase 50 mil pessoas. As organizações de ajuda humanitária estão levando os moradores para locais mais seguros e fortalecendo as moradias, mas as tempestades de setembro e a temporada de ciclones estão prestes a começar.

    Fonte do mapa: Inter Sector Coordination Group, Reach Initiative

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    Além do megacampo de Kutupalong, há mais quatro aglomerados de assentamentos espontâneos no sul de Bangladesh. Centenas de milhares de pessoas da etnia rohingya migraram de Mianmar para esses acampamentos no ano passado, fugindo da violenta repressão militar.

    Fonte do mapa: Inter Sector Coordination Group

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    Os rohingyas - minoria muçulmana apátrida e perseguida - descreveram como seus vilarejos foram incendiados, famílias foram mortas e mulheres e meninas, violentadas. A ONU classifica o episódio como genocídio. Mianmar nega, alegando que estava combatendo militantes rohingyas, e não atacando civis.

    Fonte do mapa Human Rights Watch

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    Kamroo, que já havia perdido o pai para uma doença, estava entre as pessoas que foram obrigadas a fugir. "Nós saímos porque os soldados birmaneses nos atacaram", diz ela. "Eles incendiaram nosso vilarejo e mataram minha mãe."

    Fonte do mapa: Human Rights Watch, Unicef

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    Ela está se adaptando agora à nova vida em Bangladesh. Tem uma irmã de 16 anos que mora com parentes em outra parte do acampamento e fez alguns amigos próximos, que ela diz “amar de verdade”.

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    “Às vezes, quando tenho tempo, nós brincamos”, conta. “E conversamos sobre o que aconteceu em Mianmar. De vez em quando, eu fico muito triste, outras vezes penso nas coisas felizes que aconteceram comigo”.
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    Suas expectativas para o futuro são simples:
    "A única coisa que eu quero quando crescer é não ter mais que buscar lenha", diz ela.
    "Além disso, eu quero ser feliz."
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