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Atualizado às: 21 de janeiro, 2009 - 00h10 GMT (22h10 Brasília)
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Análise: Obama fez discurso prático e melancólico

Obama faz discurso de posse em Washington (AP)
O novo presidente dos EUA, Barack Obama, profere discurso de posse

Quando era apenas o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama levou sua família ao Memorial de Lincoln, em Washington, para olhar a inscrição que exibe o trecho de um dos mais memoráveis discursos de posse da história dos Estados Unidos.

Pensando no discurso que seu pai faria nesta terça-feira, Malia - a filha de dez anos de idade de Obama - virou-se para ele e disse: "Primeiro presidente afro-americano. É melhor que seja bom".

Barack Obama sempre foi bom com palavras, e isso foi uma das coisas que o definiram como candidato. Então, as expectativas estavam altas.

Pelo momento histórico pelo qual passam os Estados Unidos, o tom do discurso de terça-feira foi prático e melancólico.

Obama fez uma crítica sóbria aos problemas de seu país: uma economia enfraquecida, o que - segundo ele - é "conseqüência de ganância e irresponsabilidade" e "uma falha coletiva em se fazer escolhas difíceis".

Casas perdidas, negócios fechando, escolas ruins. A imagem que Obama pintou em seu discurso foi a de um país com um espírito quebrado, com falta de propósitos e sofrendo de "uma confiança enfraquecida".

"Empreendedores"

Mas o homem que fez da palavra esperança um mantra de sua campanha à Presidência começou então a traçar um mapa do caminho dos Estados Unidos para fora deste tempo sombrio.

Ele colocou sua fé nos "empreendedores", mostrando um contraste subliminar com os financistas que ajudaram a iniciar a atual crise econômica.

Estes trabalhadores, segundo Obama, seriam o verdadeiro espírito dos Estados Unidos, e carregam o mesmo potencial que sempre tiveram, o de levar prosperidade para o país.

O novo presidente afirmou que essa força de trabalho vai reconstruir a infra-estrutura comercial e industrial do país, mas não citou a menos majestosa logística para isso: um pacote de US$ 825 bilhões que ele quer que o Congresso aprove (e rápido).

Serão os contribuintes americanos que farão com que os Estados Unidos comecem a se mover – pelo menos inicialmente – se Obama conseguir seguir esse caminho.

O centro do discurso, no entanto, foi um apelo por uma "nova era de responsabilidade", em que os americanos abracem as tarefas que têm para com o seu país e o mundo.

Este foi um aviso de que os anos que virão pedirão trabalho duro e sacrifícios. Obama parece acreditar que essas duas coisas ajudarão a renovar o senso de identidade dos Estados Unidos.

Política externa

O novo presidente também usou o discurso para definir seu ponto de vista sobre o resto do mundo, afirmando que os Estados Unidos não podem mais tolerar "a indiferença ao sofrimento fora de suas fronteiras", nem podem continuar a "consumir as reservas do mundo sem considerar os efeitos disso".

Estas foram declarações corajosas, que devem voltar para assombrá-lo quando seu governo começar a lidar com crises humanas internacionais e com o desafio das mudanças climáticas.

Quando falou sobre o poder militar americano, Obama temperou seu discurso com palavras como "prudência", "humildade" e "moderação".

Mas é sempre bom nos lembrarmos de que, antes, George W. Bush havia prometido uma política externa "humilde".

Frases impactantes

Obama fez apenas referências breves a sua raça.

Já no final de seu discurso, ele afirmou que seu pai não seria atendido em um restaurante nos Estados Unidos há menos de 60 anos por ser negro, e que agora o filho deste homem pode ser o presidente do país.

Obama sempre tentou evitar ser definido por sua raça, e ele preferiria que seu tempo na Presidência dos Estados Unidos fosse lembrado por suas realizações e não apenas por quem ele é.

Será que o discurso feito por Obama passaria pelo crivo de sua filha Malia, então?

Deveria. O discurso pareceu ser ideal para o momento atual, refletindo uma nação sob pressão, mas com potencial para se recuperar, e oferecendo inspiração para um povo cansado.

Mas houve alguma frase impactante, como a do discurso de Kennedy ("não pergunte o que o país pode fazer por você, mas o que você pode fazer por seu país") ou de Franklin Delano Roosevelt ("a única coisa que devemos temer é o próprio medo")?

Bem, talvez ainda seja cedo para dizer.

Mas o discurso de Obama será julgado pelos historiadores de acordo com a proximidade que tiver com seu governo.

Se o discurso realmente refletir o seu tempo no cargo, então talvez nos próximos anos nós estaremos ouvindo clipes de Obama dizendo "o mundo mudou, e nós precisamos mudar com ele" ou "uma nação não pode prosperar quando favorece apenas os prósperos".

E, talvez, estes clipes não sejam reproduzidos apenas porque foram proferidos pelo primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

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