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Atualizado às: 20 de janeiro, 2009 - 15h13 GMT (13h13 Brasília)
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UE espera que Obama aproxime EUA da Europa

A União Européia espera que o novo presidente dos Estados Unidos aproxime o país das idéias defendidas pelo bloco, mas especialistas advertem para o risco de uma decepção.

“Espero que o novo presidente dos Estados Unidos junte-se aos esforços da União Européia para superar a crise financeira e combater as mudanças climáticas”, disse repetidas vezes o presidente da Comissão Européia (órgão Executivo da UE), José Manuel Durão Barroso.

Desde a eleição de Obama os líderes europeus evocam seu nome durante debates sobre as principais questões atuais, o que, na avaliação do jornal belga La Libre Belgique, coloca sobre suas costas um peso “capaz de abrumar qualquer presidente”.

“Esperamos que Barack Obama conclua a integração racial nos Estados Unidos e que estabeleça a paz no Oriente Médio. Que tire a América (e o mundo) da recessão e que salve o planeta do desastre ecológico anunciado. Que devolva aos americanos as casas que a crise das hipotecas lhes tirou e que proteja Darfur do genocídio. Que reforme os sistemas educativo e sanitário americanos e que desbloqueie as negociações de Doha (a rodada da OMC)”, resumiu o jornal em um editorial desta terça-feira.

"Realismo”

No entanto, para Daniel Gros, diretor do Centro para Estudos de Política Européia (CEPS, em inglês), um think-tank com sede em Bruxelas, esse ponto de vista é pouco realista e coloca Obama em uma posição com grandes chances de decepcionar aos europeus.
O especialista lembra que Obama “é o presidente dos Estados Unidos, não do resto do mundo, e governará para os Estados Unidos”, cujos interesses continuam os mesmos.
Seria o caso, em sua opinião, da Rodada Doha, através da qual os países-membros da OMC (Organização Mundial do Comércio) buscam liberalizar os intercâmbios mundiais.
“Por mais boa vontade que tenha, Obama terá que velar pelos interesses dos produtores americanos e sofrerá a mesma pressão do poderoso lobby agrícola”, avalia Gros.
Segundo ele, é pouco provável que o novo presidente mude a posição de Washington também em relação à oposição ao programa nuclear do Irã ou à decisão de implementar um escudo antimísseis em solo europeu, o que provoca a ira de Moscou.

Futuro de Guantánamo

Ao mesmo tempo, algumas diferenças entre os interesses europeus e americanos devem ganhar evidência.
Seria o caso da prisão de Guantánamo, que Obama se disse decidido a fechar, como vem pedindo a UE. Mas até agora poucos países europeus se mostraram dispostos a receber antigos prisioneiros da base que abriga suspeitos de terrorismo em Cuba, no caso de seu fechamento.
Em relação ao Afeganistão, o novo presidente americano já deixou claro que considera necessário intensificar a presença militar no país, mas a UE enfrenta uma opinião pública cada mais menos favorável a sua participação nessa intervenção.
O que todos concordam é que, independentemente das decisões tomadas pelo novo governo, a imagem internacional dos Estados Unidos já sairá reforçada apenas com a posse de Obama.
“É impossível que a imagem do país fique pior do que está hoje”, resume o deputado Elmar Brok, ex-presidente do comitê de Relações Exteriores do Parlamento Europeu.

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