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Bush: farewell y los sollozos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Parece que minha vida é dizer adeus. Como nos 20 Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada, do poeta Pablo Neruda, que li, reli e finalmente comi, durante uma certa fase pós-adolescente. Foi-se Neruda. Foi-se um batalhão de gente. Foi-se um país inteiro, o Brasil, e eu apresentei minhas cordiais e sentidas despedidas, que não foram respondidas. Ir embora, ou ficar olhando na direção geral dos que se vão, é minha sina. Já quase que me acostumei, nesta hora em que eu também estou prestes a pegar o chapéu e embarcar.. Hoje, no entanto, despeço-me de George W. Bush citando o Neruda, poeta que ele desconhece (inclusive porque se comunistou logo depois dos poemas que citei), portanto se conhecesse mandaria imediatamente para Guantánamo, mesmo que morto. Tanto faz. A posição é tudo. Lenço agitado na mão, cais do porto, é comigo. Para tal, ao contrário da maior parte das pessoas, digo meu adeus citando trecho de um poema de Neruda, que já foi de enorme importância para mim. Assim caminhava a juventude. “Para que nada nos amarre Em cada puerto una mujer espera Nesta hora de partir (passei a outro poema do Neruda), lembro e eternizo o que for possível eternizar nas “internets” algumas das frases presidenciais que ganharam o termo de “bushismos”, ainda não dicionarizado, nem em nova nem em velha ortografia, mas que um dia o serão. Os dicionários brasileiros revistos são vaquinhas danadas para dar dinheiro. Serás e és lembrado, “Dubya”, como lembrados são Carlitos, Buster Keaton e o Gordo e o Magro, com a única diferença que eles, sem armas, de destruição em massa ou pequenas parcelas, nos mataram, e nos matam, de rir. Ainda riremos de Vossa Senhoria. Vai, vai, vai, disse o pássaro. Mas aí estou citando outro poeta, o Eliot, o que só complica as coisas. Para mim, para você, para o eventualíssimo leitor. Segue um punhado de meus “bushismos” prediletos. * * “Vai levar algum tempo para restaurarmos o caos.” * “Nossos inimigos estão sempre pensando em maneiras de prejudicar nosso país. Nós também.” * “Eu acho que deveríamos aumentar a idade legal para os jovens terem porte de armas.” * “Os pobres não são necessariamente assassinos.” * “A África é uma nação que sofre de doenças incríveis.” * “Um orçamento tem muitas linhas, muitas palavras, muitas páginas, muitos números.” * “Há que se admitir: em minhas frases vou onde nenhum homem foi antes.” * “Aos maus alunos, eu digo: vocês também podem chegar à presidência de nosso país.” * “Uma criança que aprendeu a ler e escrever pode perfeitamente passar num teste de alfabetização.” * “Sei que o ser humano e o peixe conseguem conviver em paz.” * “Ouvi dizer que há rumores nas internets.” * Cato uma ameaça de lágrima no canto do olho, e, como os cafajestes, digo do cais em que vivo: “Valeu, companheiro. Pode deixar que Obama completará sua missão direitinho e garanto que vai acabar encontrando as danadas das Armas de Destruição em Massa do Iraque. Mesmo que isso doa à Sua Senhoria.” Confere, Obama? Com o senhor, já que idéias ainda não foram manifestadas, a palavra. |
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