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Em cúpula, Sarkozy deve cobrar do Brasil redução de emissões | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente francês Nicolas Sarkozy, que também preside a União Européia, vai cobrar do governo brasileiro metas concretas de redução dos gases que provocam o efeito estufa durante a visita oficial de dois dias que faz ao Brasil a partir desta segunda-feira. Sarkozy e o presidente Lula participam nesta segunda, no Rio de Janeiro, da 2ª Cúpula União Européia-Brasil. Na terça-feira, um novo encontro entre os dois líderes discutirá acordos específicos de cooperação entre a França e o Brasil em várias áreas. “O Brasil precisa se mexer. Se quisermos chegar a um acordo internacional no próximo ano para lutar contra as mudanças climáticas, o Brasil precisa entrar nas negociações e aceitar definir números em relação à redução das emissões de CO2”, disse Jean-David Levitte, conselheiro diplomático do presidente Sarkozy, em uma entrevista no Palácio do Eliseu. “O Brasil vai se tornar o quarto maior emissor mundial de gases que provocam o efeito estufa, e a União Européia gostaria que o Brasil anunciasse que ele vai se engajar, com credibilidade, na luta contra o aquecimento global”, afirmou. Imigração O governo brasileiro tem afirmado que não vai aceitar nenhum compromisso para reduzir as emissões que possa inibir o crescimento econômico do país. “Se esse assunto vier à tona, nós é que vamos ter de cobrar empenho deles”, disse à BBC Brasil em Brasília um embaixador do Itamaraty que acompanha as questões de meio ambiente. Na semana passada, a reunião sobre mudanças climáticas das Nações Unidas em Poznan (Polônia) terminou com acusações mútuas entre países ricos e em desenvolvimento. Os países menos desenvolvidos, entre eles o Brasil, cobram uma proposta mais clara para redução de emissões nos países industrializados. “Não fará sentido algum se a França vier cobrar isso de nós”, disse a fonte do Itamaraty. Conselho de Segurança e economia Além da questão das emissões, há outros “assuntos sensíveis” na relação entre a União Européia e o Brasil que devem ser discutidos na Cúpula no Rio de Janeiro. Jean-David Levitte disse que as duas partes têm divergências em relação à Rodada Doha para a liberalização do comércio mundial e também em relação à imigração. “Os brasileiros são negociadores temíveis”, afirmou. Sarkozy, que preside a União Européia até o dia 31 de dezembro, prevê que o presidente Lula reivindique nos encontros o maior acesso dos produtos agrícolas brasileiros ao mercado europeu, um assunto “muito sensível para a França”, de acordo com o conselheiro diplomático francês. Entre os outros assuntos que devem ser discutidos pelos dois líderes na reunião de Cúpula estão a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a crise financeira mundial, questões energéticas e de cooperação regional. A França, como a Grã-Bretanha e a Alemanha, apóia a idéia de que Brasil obtenha uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. Mas a Europa está dividida sobre o assunto. A Itália e a Espanha, que não são membros permanentes, se opõem à reforma do Conselho na forma que está sendo proposta, segundo Levitte. “A Itália deve fazer um gesto a favor do Brasil, mas nada ainda está acertado”, afirmou Levitte. A crise global também fará parte das conversas entre Lula e Sarkozy. Segundo o conselheiro, a União Européia gostaria de definir com o Brasil uma posição comum para ser apresentada na próxima reunião do G20 financeiro (que reúne os países ricos e os principais emergentes) em abril do próximo ano em Londres. *Colaborou Fabrícia Peixoto, da BBC Brasil em Brasília |
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