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Atualizado às: 08 de dezembro, 2008 - 16h46 GMT (14h46 Brasília)
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Mercado prevê queda no PIB brasileiro já no 4º trimestre

Alguns analistas afirmam que Brasil deverá enfrentar recessão técnica
Dados sobre a economia brasileira divulgados nos últimos dias fizeram com que alguns analistas revisassem para baixo suas projeções de crescimento para o Brasil.

Segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro poderá apresentar crescimento negativo já neste quarto trimestre.

Alguns afirmam, inclusive, que o país deverá enfrentar uma recessão técnica - dois trimestres consecutivos de queda do PIB - entre o fim de 2008 e o início de 2009.

De acordo com o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, o PIB no quarto trimestre deverá apresentar queda de 0,5% em relação ao trimestre anterior (e aumento de 2,5% sobre o mesmo período de 2007).

Para o primeiro trimestre de 2009, a previsão da LCA é de nova queda de 0,5% em relação ao trimestre anterior, o que caracterizaria recessão técnica. "A partir do segundo semestre de 2009, o PIB começará a se recuperar", diz Borges.

Mesmo com previsão de queda no PIB neste quarto trimestre, economistas afirmam que o Brasil está menos exposto à crise do que em ocasiões anteriores e vai continuar crescendo acima da média mundial. A LCA prevê crescimento de 5% em 2008 e 3% em 2009.

Um estudo divulgado nesta semana pela consultoria britânica CEBR (Centro para Pesquisas Econômicas e de Negócios) afirma que a crise econômica global pode elevar a economia brasileira da 10ª para a 8ª posição no ranking das maiores economias do mundo.

No entanto, apesar de ser menos atingido que outros países, o Brasil não está imune aos efeitos da crise global, que se acentuaram, conforme indicadores divulgados nas últimas semanas.

Confiança

A mudança no cenário para o Brasil, de acordo com analistas, começou a partir de setembro e outubro, quando a crise financeira internacional se intensificou, com a quebra do banco americano de investimentos Lehman Brothers.

"Até setembro, os emergentes iam se sustentando", diz Borges. "Depois da quebra do Lehman Brothers, houve um impacto, principalmente de (falta de) confiança."

"O clima de desconfiança geral foi o canal de transmissão dessa segunda fase da crise (mundial)", afirma o economista da LCA.

O índice de confiança do consumidor em novembro atingiu o menor nível desde 2005, o que afeta a produção.

No caso dos empresários, o índice de confiança está no menor nível desde 2003 e tem efeito negativo sobre os investimentos.

Na semana passada, a divulgação da queda de 1,7% na produção industrial em outubro, segundo o IBGE, surpreendeu o mercado, que previa uma retração menor.

"Os dados sobre a produção industrial de outubro apontam para uma economia andando mais devagar do que se imaginava", diz Borges.

Segundo o economista Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios, a crise entrou em uma nova fase.

"A dificuldade maior foi o crédito, principalmente nos setores imobiliário, de automóveis e eletroeletrônicos, que fez com que as vendas caíssem muito", diz Leite.

"No segundo momento, o impacto chegou à produção, as fábricas tiveram vendas baixas, elevada falta de crédito, algumas recorreram a férias coletivas ou demissões."

De acordo com Leite, porém, agora o crédito começou a ser restaurado. O economista avalia que a produção industrial voltará a se aquecer no começo de 2009.

"A partir de maio, começa a melhorar e, no segundo semestre de 2009, já estará recuperada", diz.

Desaceleração

Apesar de os indicadores negativos apontarem para uma desaceleração no quarto trimestre, nem todos acreditam em recessão técnica.

"A possibilidade de recessão técnica existe, mas não é nosso principal cenário", diz a economista Luiza Rodrigues, do Banco Santander.

Segundo a economista, a previsão para o quarto trimestre de 2008 é de crescimento negativo de 0,5%. No primeiro trimestre de 2009, haveria alta de 0,3%.

De acordo com Luiza Rodrigues, haverá boa recuperação no terceiro e no quarto trimestres de 2009. "Aos poucos, o crédito está se normalizando, as famílias voltando a consumir", afirma.

O economista Juan Jensen, da Tendências, também afirma que haverá forte desaceleração no quarto trimestre de 2008, com queda de 0,7% em relação ao terceiro trimestre.

No entanto, para o primeiro trimestre de 2009, segundo Jensen, a previsão é de crescimento de 0,4%.

O economista da Tendências prevê uma retomada a partir do primeiro semestre de 2009, com um cenário mais positivo no segundo semestre.

"A crise vai passando, o sistema de crédito volta a funcionar", diz Jensen, que prevê crescimento de 2,6% em 2009.

Juros

Diante do cenário de desaceleração econômica, é grande a expectativa para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central que começa nesta terça-feira.

De acordo com os analistas ouvidos pela BBC Brasil, o Copom deverá manter a taxa básica de juros (Selic) inalterada, em 13,75%.

"(O Copom) ainda vai estar cauteloso, deve esperar para ver se o aumento do dólar terá efeito na inflação", diz Leite.

Na semana passada, o dólar registrou altas consecutivas e passou de R$ 2,50.

No entanto, a inflação de novembro ficou mais baixa do que o esperado pelo mercado. Mesmo assim, o acumulado do ano está em 6,39%, acima do centro da meta estabelecida pelo governo, de 4,5%, e perto do teto, de 6,5%.

"Nesta reunião, deve manter (a taxa Selic), talvez com um viés de baixa", diz Borges.

ReaisEm alta
Crise global pode elevar Brasil a 8ª economia do mundo.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (AFP)Reunião do Copom
BC decide juros em meio a dilema entre inflação e recessão.
Operadores na BovespaJuros no Brasil
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Investidor na Bolsa de PequimEconomia
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