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Atualizado às: 04 de dezembro, 2008 - 08h39 GMT (06h39 Brasília)
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E aqui, dói?

Lucas Mendes em ilustração de Baptistão
"Seu Economista, faisfavor, onde fica a recessão?"

"Não tem erro. É só seguir em frente até chegar no fim do segundo trimestre de crescimento negativo".

"E quéqui tem lá?"

"Um monte de gente desempregada, casas abandonadas, mato nos jardins, fábricas fechadas e prostitutas baratas."

Esta paisagem a gente já vê há muito tempo. Agora a foto é oficial, mas, segunda-feira, quando foi anunciado que a recessão já tem 11 meses, a Bolsa de Nova York caiu 700 pontos.

A confirmação da dor que os americanos sentem há tanto tempo vem do National Bureau of Economic Research. Medir um buraco tão grande é demorado, e o critério dos dois trimestres de crescimento negativo não vale mais.

Agora medem quedas no consumo, emprego e valor dos imóveis. E leva tanto tempo para medir que muitos desempregados já passaram do limite do cheque-desemprego e se mudaram para as calçadas e praças das cidades.

Brasileiros me dizem que não estão vendo o buraco. Foram aos shoppings e lojas, e estavam lotados. Verdade, com outros estrangeiros e americanos sem dinheiro. Os cartões de crédito, estourados, ficaram em casa. Vale o cartão de débito.

Mais gente foi aos shoppings no feriadão do consumo – sexta-feira pós-Thanks Giving (Ação de Graças) – do que em 2007, mas as vendas foram péssimas.

Os economistas e políticos nos dizem que um dos motivos da recessão é o excesso de dívidas e a falta de poupança dos americanos. E qual a receita? Por favor, comprem, gastem e façam mais dívidas.

Marc Faber, investidor suíço e editor da newsletter de investimentos The Gloom Boom & Doom Report aposta que os incentivos e estatizações do Tio Sam vão fracassar como o pacote Bush do ano passado, que mandou cheques para todos americanos.

Marc Faber escreveu: “Não importa onde a gente gastar, o dinheiro vai parar nas mãos de chineses, árabes, mexicanos, alemães. Enfim, fora daqui. O único meio de manter este dinheiro nos Estados Unidos é gastá-lo com prostitutas e cervejas, que são duas das poucas coisas que este país ainda produz. Eu estou fazendo a minha parte".

Faber acha que os novos pacotes também vão para o buraco fundo da recessão. Sugere que o investidor compre ouro antes que o governo proíba a venda.

Nos últimos 40 anos, os americanos passaram por sete recessões. As mais longas duraram 16 meses (de 1973 a 1975, e entre 1981 e 1982). A atual já tem 11 meses, e os otimistas, com base no passado, acham que só vai durar mais quatro ou cinco meses.

O prefeito de Nova York não está neste time. Quer se prevenir para uma recessão brutal, de três ou quatro anos. Quase depressão. O ex-presidente Bill Clinton concorda com ele.

O banco da cidade já teve um resgate, e Nova York pode precisar de outro. Até 175 mil empregos vão desaparecer nos próximos dois anos. As previsões do déficit no orçamento são alarmantes. Os aluguéis comerciais da cidade caíram de 20% a 30%. Há dor na cidade inteira.

Mais pobre e mais triste, a cidade tem um consolo. Os dois times locais, Giants e Jets, podem ir à final do “Americanão” - um desfecho inédito na história do futebol americano.

Arquivo - Lucas
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