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Atualizado às: 18 de novembro, 2008 - 19h19 GMT (17h19 Brasília)
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Pacote de resgate não é 'panacéia', diz Paulson
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, em depoimento no Congresso americano nesta terça-feira
Paulson diz que é essencial adaptar pacote às condições econômicas
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, disse nesta terça-feira, em depoimento no Congresso americano, que o pacote de US$ 700 bilhões aprovado no mês passado para ajudar empresas do setor financeiro em dificuldades não é uma "panacéia" para as dificuldades econômicas enfrentadas pelo país.

Em companhia do presidente do Fed (Federal Reserve Bank, o Banco Central americano), Ben Bernanke, Paulson defendeu na Comissão de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes (deputados federais) a forma como o governo tem gerenciado o dinheiro do pacote, ressaltando que ainda pode demorar para que as medidas adotadas se reflitam em uma melhoria da economia.

"Vai demorar um pouco para que os empréstimos voltem a ocorrer e o nosso sistema financeiro seja reparado, o que é essencial para a recuperação econômica", disse o secretário.

Ele também destacou a necessidade de o plano se adaptar às mudanças do cenário econômico. "Se nós aprendemos alguma coisa durante este ano, foi que a crise financeira é imprevisível e que é difícil de responder a ela", disse.

Na semana passada, Paulson anunciou uma mudança no pacote inicial, aprovado com o objetivo de comprar os chamados papéis podres (títulos com alta chance de não serem honrados) de empresas em dificuldades financeiras.

Em vez de usar o dinheiro para esse fim, o governo americano decidiu comprar ações dos bancos – uma estratégia considerada mais eficiente.

"Não há um manual para responder a um turbilhão que nunca enfrentamos", disse Paulson. "Nós ajustamos nossa estratégia para refletir os fatos em uma crise severa dos mercados."

Indústria automobilística e hipotecas

Paulson disse ser contra usar parte do dinheiro aprovado pelo Congresso para ajudar a indústria automobilística americana, que enfrenta sérias dificuldades.

Pacote de ajuda nos EUA
3 de outubro – Congresso aprova o plano
14 de outubro – Governo anuncia que compraria US$ 250 bilhões em ações de bancos
26 de outubro – Primeiros US$ 115 bilhões são gastos na compra de participações em oito empresas
10 de novembro – US$ 40 bilhões são gastos na compra de participação na seguradora AIG
11 de novembro – O plano de comprar papéis pobres é abandonado

Os democratas no Senado propuseram na segunda-feira que US$ 25 bilhões do pacote sejam usados para ajudar o setor e, nesta terça-feira, executivos de três montadoras – General Motors, Chrysler e Ford – defenderiam em uma audiência no Congresso a liberação do dinheiro.

O secretário disse que não entende que "esse seja o propósito" do pacote que, segundo ele, foi formulado para permitir o restabelecimento da liquidez e da estabilidade do mercado.

Henry Paulson também manifestou ressalvas à idéia de usar parte do dinheiro para ajudar pessoas que contraíram financiamentos imobiliários e agora, sem ter como pagar a dívida, estão perdendo suas casas – algo que o presidente eleito, Barack Obama, defendeu durante sua campanha à Casa Branca.

Segundo Paulson, o governo americano vai analisar formas de dar auxílio a essas pessoas.

A presidente da Corporação Federal de Garantias de Depósitos (empresa estatal que oferece garantias aos depósitos nos bancos-membros), Sheila Bair, também prestou depoimento na comissão e assumiu uma posição diferente: ela defendeu que US$ 24 bilhões do pacote sejam usados para esse fim.

Bair afirmou que o aumento no número de execuções de hipotecas mostra que o governo está "claramente ficando para trás" nessa área.

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