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Campos de deslocados internos no Congo são incendiados, diz ONU | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Organização das Nações Unidas (ONU) disse nesta sexta-feira ter relatos confiáveis de que campos que abrigavam cerca de 50 mil deslocados no leste da República Democrática do Congo foram destruídos. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) disse estar preocupado com relatos sobre a destruição dos campos de Rutshuru, localizados a 90 quilômetros ao norte de Goma, capital da província de Kivu do Norte. Segundo relatos, os campos foram evacuados à força, saqueados e depois incendiados. "Havia cerca de 50 mil pessoas nesses campos", disse Ron Redmond, porta-voz do Acnur. "Não sabemos onde elas podem estar agora, estamos com medo de que simplesmente tenham se dispersado na floresta." Deslocados Calcula-se que 250 mil pessoas na região leste do Congo tenham fugido dos confrontos entre tropas do governo e rebeldes leais ao general Laurent Nkunda. De acordo com o correspondente da BBC em Goma, Peter Greste, a falta de comida e de água está levando milhares de refugiados a deixar a cidade de Goma em direção a Kibati, a cerca de 12 quilômetros ao norte. Segundo Greste, a estrada que sai de Goma está tomada por uma multidão de famílias que carregam todos os seus pertences nas costas. "Toda a população de Goma e também das áreas em torno da cidade está extremamente insegura", disse Marcal Izard, porta-voz da Cruz Vermelha, à BBC. Um agente humanitário congolês que trabalha em Goma, Godefroid Marhenge, contou à BBC que alguns dos deslocados "precisam desesperadamente de ajuda humanitária". O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, já havia afirmado que a violência está criando uma crise de "dimensões catastróficas" no país. Apesar de o general Nkunda ter dito na quinta-feira que abriria um "corredor humanitário" para que os refugiados em Goma pudessem voltar para suas casas, o correspondente da BBC afirma que muitas pessoas foram obrigadas a voltar para a cidade por medo de serem alvo de tiros. De acordo com Greste, aqueles que conseguiram chegar a Kibati afirmaram ter mais chances de obter água e comida nas florestas ao redor da cidade do que em Goma. Situação "volátil" Apesar dos esforços diplomáticos para pôr fim à crise, a situação na região permanece extremamente volátil, segundo agentes humanitários. Um cessar-fogo está em vigor em Goma, mas o general Nkunda ameaçou invadir a cidade a menos que as tropas de paz da ONU garantam a manutenção do cessar-fogo e a segurança. As tropas rebeldes do general Nkunda estão posicionadas a cerca de 15 quilômetros de Goma. A ONU mantém cerca de 17 mil homens no Congo, a maior missão de paz da organização no mundo. No entanto, o contingente não é suficiente para conter a crise. Tanto rebeldes como tropas do governo são acusados de cometer atrocidades contra civis, principalmente estupros em massa. O Parlamento do Congo pediu que o governo do presidente Joseph Kabila negocie com o líder rebelde. No entanto, em ocasiões anteriores Kabila já se negou a negociar com Nkunda. |
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