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Atualizado às: 27 de outubro, 2008 - 09h08 GMT (07h08 Brasília)
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Crise faz Obama avançar em redutos republicanos

Barack Obama em Indiana (23/10- Foto Getty Images)
Sondagens recentes indicam disputa emparelhada em Indiana
O Estado americano de Indiana não vota em um candidato presidencial democrata desde 1964, mas neste ano, o democrata Barack Obama está ameaçando o domínio local dos rivais republicanos.

Há quatro anos, o então candidato democrata à Presidência americana, John Kerry, não montou sequer um único escritório em Indiana. Agora, Barack Obama conta com 40 QGs no Estado.

O candidato democrata promoveu um comício em Indiana na quinta-feira passada - o último evento que realizou antes de interromper sua campanha para visitar sua avó doente no Havaí.

A governadora Sarah Palin, companheira de chapa do candidato republicano, John McCain, já realizou três eventos no Estado - o último deles um comício no sábado. Ela promoverá mais um na próxima quarta-feira.

Assim como no resto dos Estados Unidos, em Indiana a economia é considerada o principal assunto em jogo na disputa por uma grande margem dos eleitores - um total de 50%.

Destes, apenas 8% acreditam que a situação econômica do país é boa.

O índice de desemprego é de 6,3%, o mais alto desde setembro de 1992 e ligeriamente superior à média nacional, de 6,1%.

Virada

Obama comanda a disputa, de acordo com outros levantamentos, em outros Estados do meio-oeste americano, que normalmente pendem para o lado republicano, mas que foram fortemente atingidos pela atual crise econômica que assola o país.

Em Michigan, Estado praticamente dado como perdido pela campanha de McCain, que chegou a desativar comitês e eventos de campanha locais, o índice de desemprego é o maior dos Estados Unidos - uma média de 8,7%.

Lá, segundo levantamento recente feito pelo instituto Rasumssen, Obama comanda a disputa por uma diferença de 16 pontos - o democrata teria um índice de 56% contra 40% de McCain.

Em Ohio, vencido pelo presidente George W. Bush em 2000 e 2004, 7,2% da população está sem emprego.

De acordo com uma enquete recente da rede CNN, McCain contaria no Estado com a preferência de 46% dos eleitores, 4 pontos atrás de seu rival.

Já em Indiana, as sondagens mais recentes indicam uma disputa emparelhada entre o republicano e o democrata. Segundo a média agregada de 22 levantamentos feita pelo site Real Clear Politics, Obama contaria com 47,3% contra 46,8% de McCain.

Racismo

Uma cifra impressionante não apenas pelo fato de que Indiana não conta com uma tradição de voto em candidatos democratas, mas também pelas raízes de intolerância racial ainda hoje presentes no Estado.

Indiana foi um dos berços da organização supremacista branca Ku Klux Klan, que, no passado, promoveu assassinatos, estupros e linchamentos de negros, muitas vezes com a conivência, quando não com a colaboração, de autoridades locais.

Um dos quartéis generais da organização é situado perto da cidade de South Bend, que abriga um ativo QG de Obama, que conta com ativistas brancos e afro-americanos e até mesmo com uma republicana.

Jessie Boechert comanda o grupo Republicans for Change (Republicanos por Mudanças), que conta com outros 25 dissidentes do Partido Republicano, explica o que a motivou a passar para o campo adversário.

''A principal razão é a economia, que afeta os republicanos também. E é algo que eu percebo toda vez que eu vou ao supermercado. Há muitas pessoas sofrendo, pessoas que perderam seus empregos. E a guerra (do Iraque) também foi um fator. Ele (Barack Obama) traz uma perspectiva nova. Não é como todos esses políticos que estão há anos e anos em Washington'', afirma.

Butch Morgan, que preside o distrito democrata que abrange South Bend e imediações afirma que os eleitores do Estado desenvolveram uma relação passional com o candidato democrata e se desiludiram com as políticas econômicas dos últimos oito anos.

''A situação econômica e as decisões do governo Bush afetaram muitas pessoas. E, além disso, eu tenho visto desde a disputa das primárias que Barack Obama está conseguindo atrair pessoas de todas as idades e raças. Se ele chegar à Casa Branca, vai enterrar de vez os velhos preconceitos.''


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