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Atualizado às: 26 de outubro, 2008 - 15h06 GMT (13h06 Brasília)
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Impasse político em Israel deve levar a novas eleições
Shimon Peres e Tzipi Livni reunidos neste domingo em Israel
Tzipi Livni informou a Shimon Peres que desistiu de formar governo de coalizão
Israel parece estar se encaminhando para uma nova eleição depois que a líder do partido governista Kadima, Tzipi Livni, anunciou ter desistido de formar um governo de coalizão.

Livni reuniu-se neste domingo com o presidente israelense, Shimon Peres, e recomendou a realização de eleições gerais.

"Eu poderia ter apresentado um governo hoje (domingo). Eu estava pronta para pagar um preço para estabelecer um governo, mas até o último minuto eu não estava disposta a hipotecar o futuro econômico e político de Israel", disse Livni depois da reunião com Peres.

Peres terá três dias para tentar reverter a situação. Depois deste período, qualquer parlamentar israelense pode tentar formar um governo de coalizão.

Mas segundo a imprensa israelense, é pouco provável que qualquer coalizão seja formada e que a decisão de Livni leve a novas eleições, que aconteceriam em fevereiro.

Likud

O próximo pleito só estava programado para 2010. O principal rival do partido de Livni, o Kadima, é o direitista Likud. O Kadima tem 29 assentos dos 120 do Parlamento israelense.

Livni, que é ministra das Relações Exteriores de Israel, foi eleita líder do Kadima no mês passado.

Ela então recebeu a tarefa de formar um governo de coalizão, para substituir o primeiro-ministro Ehud Olmert. O partido havia feito uma coalizão com os trabalhistas, que detêm 19 assentos.

Livni tinha estabelecido domingo como prazo para montar um novo governo. Mas na sexta-feira o partido Shas recusou-se a participar da futura coalizão.

"Quando ficou claro que todas as pessoas e todos os partidos estavam explorando a oportunidade para fazer exigências que são economicamente e diplomaticamente ilegítimas, eu decidi cancelar (as negociações) e ir às urnas", declarou Livni em uma nota oficial divulgada no domingo antes da reunião.

O ortodoxo Shas, com 12 parlamentares, era visto como um aliado crucial do novo governo, mas rejeitou uma coalizão com o Kadima devido a duas reivindicações que não teriam sido atendidas: o aumento do gasto com crianças e a promessa de que o status de Jerusalém não mudará nas negociações com os palestinos.

Em entrevista ao jornal Haaretz, Livni disse que não seria "chantageada".

Segundo o correspondente da BBC em Jerusalém Tim Franks, um dos principais beneficiados da decisão de Livni é o líder do partido de oposição Likud, Binyamin Netanyahu. Pesquisas de opinião sugerem que a disputa entre o Kadima e o Likud seria bastante apertada.

Há temores de que um processo eleitoral em Israel possa prejudicar as negociações com os palestinos em busca de um processo de paz.

O principal negociador palestino, Saeb Erekat, disse à BBC que se os israelenses realizarem eleições antecipadas, dificilmente será possível haver negociações de paz no período.

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