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Atualizado às: 23 de outubro, 2008 - 09h47 GMT (07h47 Brasília)
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Nacionalização na Argentina afetará região, diz 'El País'
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner
A presidente anunciou o plano nesta semana
Em editorial intitulado “Disparate argentino”, o jornal espanhol El País criticou nesta quinta-feira a decisão do governo argentino de nacionalizar os fundos de pensão e manifesta a preocupação de que um clima de desconfiança pode se espalhar por toda a região.

“A nacionalização do sistema privado de pensões na Argentina, anunciada de repente pela presidente Cristina Fernández de Kirchner, é uma decisão que trará conseqüências graves não só para os investimentos na Argentina, mas também para a área econômica latino-americana e para as empresas espanholas que nela operam”, diz o jornal.

Segundo o editorial, os mercados entendem a nacionalização como uma apropriação dos ativos das administradoras de fundos de pensão, que poderão ser usados pelo governo como bem entender.

Para o El País, não é difícil ver os motivos políticos por trás da decisão.

“O Estado argentino tem graves dificuldades para cumprir os vencimentos da dívida, agravados pelos precedentes de calote de seus compromissos internacionais e de uma gestão pública muito discutível.”

Os fundos privados oferecem substanciais ativos, que agora passam a formar parte dos cofres do Estado e poderão ser usados para cobrir os vencimentos, afirma o editorial.

Para o jornal, esta é a interpretação dominante nos mercados, apesar dos argumentos do governo de que a nacionalização foi adotada para garantir as pensões de quase 10 milhões de afiliados.

“A ausência total de explicações até agora torna a nacionalização em uma expropriação de fato”, diz o jornal.

“A nacionalização agrava o descrédito da Argentina diante de instituições internacionais e piora ainda mais a situação por si só já difícil da América Latina. A desconfiança não vai se deter nas fronteiras com o Brasil e o Chile”, diz o El País.

Para o jornal, esse foi um erro econômico “maiúsculo” que tem que ser evitado, principalmente em meio a uma grave crise internacional, pois “aumenta o receio em relação a esses ativos”, “agrava recessões” e “condena o país a longos períodos de ostracismo financeiro”.

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