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Atualizado às: 02 de outubro, 2008 - 14h14 GMT (11h14 Brasília)
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Vai, Mike, vai ...

Mike Bloomberg é o melhor prefeito de Nova York desde o republicano Fiorello La Guardia, que foi eleito na Grande Depressão, em 33, e comandou a cidade por 13 dos piores anos da sua história. Ele tirou Nova York do pesadelo e deu a ela a faixa de capital do mundo.

Durante muitos anos, Bloomberg fez campanha pelo limite de tempo dos mandatos políticos e, mesmo depois de eleito, disse várias vezes que era a favor de dois mandantos, no máximo. No caso de prefeito e vereadores, em Nova York só se permite uma reeleição.

Diante da possiblidade de uma profunda recessão ou de uma outra depressão, ninguém parece mais qualificado do que Bloomberg, um guru das finanças que ganhou bilhões com seu sistema de informação e sem nunca ter sido político, consertou mais do que as finanças da cidade. Trabalha por US$ 1 por ano. Pela lei, teria de sair em 2009.

Alguns vereadores ficaram confusos com a decisão, mas a maioria quer que ele fique. Os empresários, banqueiros e financistas também. A imprensa de Nova York é tão a favor de Bloomberg que dois jornais rivais - Daily News e New York Post - publicaram editorais em dias diferentes com o mesmo título: Run Mike Run (Run, em inglês, além de correr significa também disputar um páreo eleitoral).

O New York Times sempre foi contra limite de mandatos e endossa hoje, em editorial, a decisão de Bloomberg de disputar um terceiro mandato.

Isto não significa unanimidade.

Pesquisas anteriores à crise mostravam que os novaiorquinos eram contra a mudança na lei e confirmaram a decisão nos plebiscitos em 93 e 96, com grande maioria a favor dos limites.

Quase todos os políticos que planejavam disputar a prefeitura no ano que vem são contra: o cemitério está cheio de homens indispensáveis, comentou um deles, citando De Gaulle.

A democracia é maior do que um homem, disse outro. São boas frases, mas estes candidatos não despertam a confiança, nem entusiasmo de Bloomberg no eleitorado.

Quando a Câmara em Washington votou contra o pacote, a bolsa caiu 7%, recuperou 5% no dia seguinte, mas Nova York levou um choque mais forte do que o resto do país.

Os preços dos imóveis tinham parado de subir nos últimos meses, mas não caíram. Agora uma queda de 20% é uma previsão otimista. Dezenas de grandes contratos foram adiados, congelados ou simplesmente cancelados, entre eles um contrato de US$ 300 milhões por 30 mil metros quadrados no prédio do Citigroup Center.

Tishman Speyer Properties, que controla o Rockefeller Center, o prédio da Chrysler e dezenas de outras propriedades caiu fora da compra de uma torre de 40 andares na rua 42.

O voto na Câmara aprofundou uma crise que já tinha assumido proporções assustadoras quando o governo deixou Lehman Brothers falir. O banco de investimentos estava por trás de contratos imobiliários de bilhões de dólares na cidade. Ainda é um mistério porque o governo salvou outros bancos e a seguradora AIG mas deixou o Lehman Brothers afundar.

Quarenta mil pessoas devem perder empregos em Nova York, onde o mundo bancário financeiro representa um quarto dos impostos.

Bye bye penthouses, duplexes, apartamentos de US$ 10 milhões e Maseratis pagos com os bônus dos bancos de investimento que venderam lixo em forma de hipotecas para o país e o resto do mundo e pagaram bilhões aos seus executivos.

Vai ser fácil mudar a lei para permitir o terceiro mandato e reeleger Bloomberg.

Muito mais difícil será tirar a cidade do pesadelo fiscal dos próximos anos e recuperar os empregos perdidos. Ressuscitar o sonho americano na Wall Street?

Impossível.

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