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Atualizado às: 02 de julho, 2008 - 08h38 GMT (05h38 Brasília)
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Meu nome é Hussein

Lucas Mendes

Há quase dois anos, Barack Obama ainda não era candidato, mas o apurado faro da direita pegou no pé muçulmano do senador de Illinois. A colunista Debbie Schlussel escreveu: "Uma vez muçulmano, sempre muçulmano". Foi a primeira.

Hoje um em dez americanos acha que Obama é muçulmano e um número maior não sabe qual a religião dele.

Em Estados onde não houve primárias ou ele não fez campanha a fundo, hoje precisa explicar: "Meu nome é Obama, sou patriota, sou cristão, não sou elitista, sou e não sou contra armas, sou e não sou contra impostos, sou e não sou contra imigrantes". Cada dia mais político, conciliador e menos ousado.

Ele também é Hussein, nome do pai que mal conheceu e morreu num acidente em 82. Era ateu.

Apelido pode parecer uma infantilidade, mas num país que acredita em jargões e estereótipos, não lê jornais e se informa mal apesar de bons canais de televisão e estações de rádio, pode marcar um político.

Obama tem vários, mas nenhum definitivo. O mais breve e meu favorito é do jornal New York Post, um tablóide que precisa de espaço nas primeiras páginas: Obama é "O". (Hillary é "Hill").

Entre os parentes e os íntimos Obama é Barry, e seu primeiro apelido na escola - Obamber - veio dos colegas de basquete, porque ele arremessava com um salto.

Rush Limbaugh, campeão de audiência no rádio, tão na ponta direita que às vezes cai fora do gramado político, se refere ao senador como Barack Hussein Odumbo, por causa das orelhas e porque dá uma conotação de “burro”.

Para o serviço secreto, onde todos os “protegidos” têm apelidos, Obama é o Renegade. Será que tem política? O Renegado e os agentes hoje são companheiros de basquete.

Dentro da campanha do senador McCain tem política e ele é tratado como doutor Nobama, por causa de suas posições contrárias às do republicano na questão de energia, mas McCain tem mais apelidos do que Obama.

Na escola secundária McCain era McNasty (McMalvado), o brigão.

Na academia militar é o John Wayne McCain, boa pinta e provocador.

Na prisão do Vietnã era o Príncipe Coroado, porque o pai comandava a frota americana no Pacífico.

Na Câmara foi o Tornado Branco, porque trabalhava sem parar, e no Senado até hoje é o Maverick, pelas suas decisões independentes, muitas contrárias aos interesses do partido.

Ele se refere a si mesmo como wise ass - bestalhão esperto -, older than dirt - mais velho do que terra.

Aos 71 anos, o candidato republicano teve mais tempo de colecionar mais apelidos do que Obama.

Não sabemos como o presidente Bush se refere ao senador democrata, mas é certo que ele já inventou um apelido, porque este presidente tem um lado infantil forte e nunca se refere a ninguém pelo nome.

Todos os assessores, vários jornalistas que cobrem a Casa Branca e líderes têm apelidos. Quase todos gostam, porque dá a impressão de intimidade com o presidente.

Putin é Pootie Poot, o signficado é segredo para a KGB decifrar e não sabemos como o Putin se refere ao Bush.

Papai Bush é Poppy. Ele, Bush, se chama de Dubya - um W mal pronunciado - e Bushie. A mulher, Laura, também é Bushie, e na Casa Branca é Bushie pra cá e Bushie pra lá.

Todos os presidentes americanos tiveram apelidos. Alguns, como Roosevelt e Kennedy, eram apenas as iniciais - JFK, FDR.

São nomes de estradas, aeroportos, escolas, hospitais e mais conhecidas do que quase todos os presidentes americanos. Nixon era Tricky Dick, cheio de truques e malvadezas.

Vamos voltar para o presidente Hussein. Bill Cunningham e vários outros radialistas conservadores exploraram tanto o filão muçulmano de Obama que provocaram uma reação entre jovens partidários do candidato.

Num movimento espontâneo de universitários em cidades pequenas, vários cristãos, judeus, ateus, enfim, gente com e sem religião, adotaram o sobrenome Hussein: "Muito prazer, meu nome é Alice Hussein Smith", "Albert Hussein Cohen". Pegou e se espalha.

No 4 de agosto, dia de aniversário de Obama, milhares, talvez milhões, de pessoas vão anunciar que se chamam Hussein.

Não sei... se o Oriente Médio pegar fogo antes da eleição, Hussein pode explodir do colo de Barack Obama.

Ele foge de muçulmanos e mesquitas como o diabo da cruz.

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