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Atualizado às: 30 de setembro, 2008 - 19h12 GMT (16h12 Brasília)
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Em SP, sociedade civil ajudou a derrubar homicídios

Patrulha com bicicletas em Guarulhos (foto: Alessandra Corrêa)
Guardas municipais fazem ronda de bicicleta em parques de Guarulhos
No espaço de uma década, a Região Metropolitana de São Paulo passou de sinônimo de criminalidade a exemplo de sucesso na redução de índices de violência.

Em 1999, a taxa de homicídios dolosos (intencionais) por 100 mil habitantes nos 39 municípios da região era de 51,8. No ano passado, foi de 15,0, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP/SP).

“São Paulo foi o único Estado que apresentou queda sistemática (dos índices de violência) de 2000 a 2006”, diz o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, diretor de pesquisas do Instituto Sangari e autor do Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros.

Essa transformação ocorreu graças a um esforço conjunto envolvendo a polícia, o Estado, as prefeituras e a sociedade civil, com a participação de organizações como o Instituto São Paulo Contra a Violência e o Instituto Sou da Paz.

“Foram diversos fatores que, juntos, formaram um ‘coquetel Molotov’ que deu certo”, afirma Waiselfisz.

Guarulhos

A região dos Pimentas, que engloba vário bairros na periferia de Guarulhos, é um exemplo dessa mudança.

Segundo dados da Secretaria para Assuntos de Segurança Pública de Guarulhos, de 2001 a 2008 houve redução de 59,33% nas taxas de homicídio doloso na área da 4ª Delegacia de Polícia do município, da qual Pimentas faz parte.

Hoje, as ruas asfaltadas e a presença de serviços como rede bancária, hospital, shopping center, teatro e até uma universidade em nada lembram a situação de dez anos atrás.

“Durante muito tempo, as pessoas tinham medo de vir aqui. Era comum encontrar cadáveres nas ruas, havia muita pobreza e quem mandava na área eram os justiceiros e matadores profissionais”, diz Diná Margarida Dias, moradora da região há 26 anos.

“Não havia transporte, água encanada, coleta de lixo, iluminação pública, nada”, diz a moradora, que trabalha da regional da prefeitura localizada na área.

Segundo ela, a mudança começou a partir do final da década de 80. Aos poucos, a região foi ganhando obras de infra-estrutura, praças, escolas, postos policiais e de saúde e projetos de revitalização.

“Começou a mudar quando o poder público passou a trazer serviços para cá”, diz Diná. “Hoje as pessoas têm orgulho de morar nos Pimentas.”

O secretário de Segurança Pública de Guarulhos, Geraldo Jânio Vendramini, diz que a redução dos índices de violência na área – que tem cerca de 300 mil habitantes – se deve, em grande parte, “à inserção do poder municipal nos bairros da periferia, recuperando espaços degradados e melhorando as condições de vida”.

Avanços

A evolução na região dos Pimentas é o retrato mais visível dos avanços obtidos por Guarulhos na área de segurança.

Segunda maior cidade do Estado de São Paulo, com 1,3 milhão de habitantes, Guarulhos conseguiu reduzir sua taxa de homicídios dolosos (por 100 mil habitantes) de 58,8, em 1999, para 20,6 no ano passado, segundo dados da SSP/SP.

Guardas municipais fazem patrulha com cães em Guarulhos (Foto: Alessandra Corrêa)
Redução da violência em Guarulhos é resultado de conjunto de ações

Nos últimos anos, a cidade implantou projetos como a ronda escolar, em que guardas municipais percorrem as escolas, além de rondas com bicicletas e com cães em determinadas áreas, como parques públicos.

A guarda municipal se envolve ativamente em ações comunitárias. Em um dos projetos, o Grupo Unido na Ação de Resistência às Drogas (Guard), os guardas fazem palestras para crianças e jovens nas escolas sobre prevenção ao uso de drogas.

Segundo o secretário de Segurança, o sucesso no combate à violência em Guarulhos foi resultado de um conjunto de ações, que envolvem também um trabalho coordenado com as polícias e com o Estado.

O caso de Guarulhos não é isolado. Em diferentes graus, todas as cidades da região metropolitana de São Paulo conseguiram reduzir seus índices de violência nos últimos anos.

Fórum metropolitano

Segundo especialistas, uma das causas dessa redução foi a criação do Fórum Metropolitano de Segurança Pública, em 2001, envolvendo as 39 prefeituras da região e o Instituto São Paulo Contra a Violência (ISPCV). Essa iniciativa marcou o início de uma atuação mais efetiva das prefeituras na área de segurança.

“Medidas como a expansão do policiamento municipal, a lei seca e outras de caráter preventivo e social, tomadas a partir dessa data, foram as que originaram a reversão do quadro crescente de violência vigente no Estado até o ano de 1999”, escreveu Waiselfisz no Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros.

Segundo Waiselfisz, o primeiro passo para a mudança foi a preocupação da população, que resolveu agir. Instituições da sociedade civil se engajaram, reuniram os prefeitos da região, e estabeleceram iniciativas, como a lei seca (que limitou o funcionamento de bares), que deram resultados.

“Também a polícia começou a receber recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública”, diz o sociólogo. “Houve investimentos em novos cárceres, em infra-estrutura, na capacitação de policiais. Foram implantados o Infocrim (sistema de ocorrências online) e o Fotocrim (banco de dados sobre criminosos)."

Mas para Waiselfisz a participação e a pressão de organizações da sociedade civil foram fundamentais no processo de mudança.

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