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Atualizado às: 29 de setembro, 2008 - 20h51 GMT (17h51 Brasília)
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Maringá aposta em prevenção para melhorar saúde

Horta comunitária em Maringá (foto: Alessandra Corrêa)
Hortas comunitárias aliam geração de renda e alimentação saudável
Aos 57 anos de idade, a funcionária pública aposentada Cleide Alves da Silva superou uma depressão, após um tratamento de um câncer de mama, com uma receita simples: começou a trabalhar em uma horta.

Ela diz que após começar o trabalho na terra, vários de seus sintomas desapareceram e a horta a ajudou a melhorar sua alimentação e sua renda. “Agora não tenho mais insônia, mais nada. Minha auto-estima melhorou.”

Cleide está trabalhando em uma das dez hortas comunitárias de Maringá, no interior do Paraná, que fazem parte de um projeto com o objetivo de melhorar a saúde da população.

Desde 2005, a cidade passou a fazer parte da Rede de Municípios Potencialmente Saudáveis (RMPS), que reúne 55 cidades em cinco Estados e busca promover a saúde de maneira "mais ampla". A aposta do programa e da cidade é a prevenção.

“Zerado”

Principais projetos em Maringá
Academias da Terceira Idade (ATIs) – Inspiradas em uma iniciativa chinesa, são espaços ao ar livre, geralmente próximos a unidades básicas de saúde, com aparelhos para ginástica especialmente projetados. A primeira foi inaugurada em abril de 2006. Hoje há 29, e o objetivo da prefeitura é que sejam 40 até o fim deste ano. Estagiários orientam a realização de exercícios em determinados horários. Segundo a Secretaria da Saúde, além de benefícios físicos, as ATIs também favorecem a socialização dos idosos.
Escolas – Há vários projetos de promoção de saúde nas escolas, entre eles a alimentação saudável nas merendas, com destaque para frutas, legumes, verduras e mel. Casos de desnutrição e obesidade são encaminhados para clínicas de nutrição. Um programa em parceria com a Polícia Militar, destinado a alunos da 4ª série, orienta as crianças a se defenderem em situações de violência e oferta de drogas.
Hortas comunitárias – A cidade tem 10 hortas comunitárias com uma produção total de cerca de 130 toneladas de vegetais por ano. A maioria está instalada em terrenos antes abandonados. Há duas implantadas em convênio com a Eletrosul, embaixo de linhas de transmissão. A produção é totalmente orgânica, sem uso de defensivos ou agroquímicos. Um agrônomo contratado no início de 2007 presta assessoria. Os participantes ficam responsáveis por um ou mais canteiros, onde plantam o que quiserem. O excedente pode ser vendido.
Tabagismo – Uma lei municipal de 2006 proíbe fumo em recintos fechados e prevê multas tanto para estabelecimentos quanto para fumantes que desrespeitarem a regra. Postos de saúde oferecem tratamento para quem deseja parar de fumar.
'Blitz educativa' no trânsito em Maringá (foto: Alessandra Corrêa)
Trânsito – Campanhas com a participação da administração municipal e da sociedade civil envolvem “blitze educativas” com clowns em cruzamentos e faixas de segurança para orientar motoristas e pedestres. Em 2005, acidentes de transporte eram a segunda principal causa de morte em Maringá, segundo dados do IBGE. De acordo com a Secretaria Municipal dos Transportes, as campanhas já apresentam resultado, e o índice de mortes por 10 mil veículos caiu de 4,14 em 2006 para 4,04 em 2007.

Projeto do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a rede de municípios incentiva a integração entre diferentes setores da administração e da sociedade em ações de promoção da saúde nos municípios.

“Se você não trabalha no sentido de promoção da saúde que amplia, que agrega todos os setores, não consegue alcançar a melhoria da qualidade de vida”, afirma a Dra. Ana Maria Sperandio, idealizadora da RMPS.

Em Maringá, o primeiro passo foi reunir as secretarias municipais e a comunidade. “Houve uma articulação com diferentes setores (da administração municipal) e com a sociedade e identificamos os principais problemas”, diz a gerente de promoção e prevenção de saúde do município, Ana Rosa Oliveira Poletto Palácios.

A partir desse levantamento, surgiram vários projetos simples para ajudar na área de saúde, como as hortas, promoção de saúde nas escolas, campanhas para melhorar o trânsito.

Outro exemplo dessa gama de ações é o programa das Academias da Terceira Idade (ATI). Inspirada em uma iniciativa semelhante na China, a primeira ATI em Maringá foi inaugurada em abril de 2006. Hoje há 29 desses espaços ao ar livre, geralmente localizados ao lado de postos de saúde, em que idosos praticam exercícios em aparelhos especialmente projetados.

“Minha saúde melhorou 200%”, diz o aposentado José Roberto dos Santos, 66 anos, que já sofreu dois derrames e hoje afirma freqüentar a academia diariamente. “Mudei meus hábitos. Parei de fumar, parei de beber”, diz Santos. “Sarei. Fiquei zerado.”

Problemas

Com 330 mil habitantes, Maringá tem hospitais modelos e já apresentava bons indicadores de saúde mesmo antes do programa de prevenção.

No Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, divulgado em agosto deste ano com dados até 2005, Maringá aparece em primeiro lugar entre os municípios do Paraná e em 36º no ranking nacional, com 0,8725 (em uma escala de 0 a 1).

Mas existem dados mais recentes que mostram que a cidade continua melhorando. O índice de óbitos infantis por mil nascidos vivos, por exemplo, era de 12,6 em 1998 e passou para 8,9 em 2003. Neste ano, segundo a Secretaria da Saúde, foram registradas até agora 15 mortes, equivalentes a 5,3.

Apesar dos alguns bons indicadores, o setor de saúde ainda enfrenta problemas no município e é um dos principais temas desta campanha eleitoral.

“Houve retrocesso na área de saúde”, afirma o candidato a prefeito Enio Verri, do PT. O candidato de oposição afirma que houve redução da área atendida pelo Programa Saúde da Família e que há falta de médicos.

O secretário da Saúde de Maringá, Antonio Carlos Nardi, reconhece que há alguns problemas no setor. “Maringá é sede regional de saúde, que congrega 30 municípios, e também sede macrorregional, com 130 municípios”, diz Nardi. “Com isso, a rede tem um déficit de entre 120 e 130 leitos.” O secretário também diz que há deficiência de consultas especializadas.

Para Nardi, porém, ações de prevenção e de promoção da saúde podem reduzir o número de doentes e, consequentemente, “o estrangulamento do sistema” de saúde. “O resultado é a longo prazo”, afirma o secretário.

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Hortas comunitárias em Maringá
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