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Atualizado às: 24 de setembro, 2008 - 09h33 GMT (06h33 Brasília)
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Na cruz da Pensilvânia

Lucas Mendes

Estamos no bico do funil. Faltam 41 dias para a eleição e um exame de todas as pesquisas mostra que num país com 50 Estados, 11 serão cruciais e um deles, como a Flórida em 2000 e Ohio em 2004, poderá decidir as eleições.

Hoje os cruciais são Flórida, Ohio, Colorado, Virgínia, Nevada, Novo México, Carolina do Norte, New Hampshire, Michigan, Wisconsin e Pensilvânia. Obama lidera em 7, McCain em 4, mas são vantagens dentro da margem de erro.

Até o dia das eleições vamos examinar cada um destes Estados e vamos começar pela Pensilvânia, que tem 21 votos no colégio eleitoral, é o quinto maior (os outros quatro maiores são Califórnia, com 55 votos, Texas, com 34, Nova York, com 31, e Flórida, com 27) e nas últimas quatro eleições votou nos democratas. Em 2004, John Kerry ganhou de George Bush com uma margem de 2.5%.

A Pensilvânia é um Estado que vai do pobre ao rico, do campo à cidade, do semi-analfabeto às melhores universidades. A grande indústria enferrujou, mas há uma explosão nas áreas de ciência e tecnologia.

Em religião oferece de tudo e foi o berço da república. Sem a Pensilvânia não se conta a história americana, nem o democrata chega à Casa Branca ano que vem.

Nestas primárias, Hillary Clinton deu uma surra em Obama na Pensilvânia, que antes da eleição insultou milhares de eleitores de classe média baixa quando disse que “gente amarga se apega a armas e à religião nas crises econômicas”.

Barack Obama abriu 65 escritórios no Estado, quatro vezes mais do que McCain, mais do que em qualquer outro Estado, e os democratas têm mais de um milhão de eleitores registrados do que os republicanos.

Com este histórico e estes números, por que Obama está tão preocupado com a Pensilvânia? Porque caso perca em Ohio e na Flórida, Estados que hoje favorecem McCain, a Pensilvânia se torna indispensável.

Obama teria de vencer em Estados menos confiáveis e com menos votos no colégio eleitoral, como Virgínia, Carolina do Norte, Nevada, Colorado e Novo México. Se ganhar na Flórida ou Ohio, pode se dar ao luxo de perder na Pensilvânia.

Os democratas não estão investindo só nos 11 Estados cruciais. Há uma lista maior, de 24 Estados considerados prioritários, onde vários grupos, em especial os sindicatos, fazem o trabalho de “formiguinha”, uma fórmula cara copiada dos republicanos para descobrir e concentrar as energias em “micro-alvos”.

O candidato não desperdiça dinheiro em territórios republicanos, mas concentra os esforços nos democratas frouxos e firmes, nos indecisos e independentes.

Nas campanhas anteriores, os republicanos tinham o “cofre dos eleitores” onde estava a lista de fiéis recrutas disponíveis para bater de porta em porta, passar horas nos telefones, buscar os eleitores em casa e levá-los para os pontos de votação.

O cofre democrata é o “Catalist”, uma empresa criada por Harold Ickes que assessorou as campanhas de Clinton. São informações detalhadas sobre 230 milhões de americanos. O grosso do dinheiro vem dos cofres dos grandes sindicatos, como a AFL-CIO e, da organização “Change to Win”, que reúne sete sindicatos com 65 milhões de dólares disponíveis para mala direta e telefonemas.

Obama tem dois problemas na Pensilvânia: o voto dos homens brancos da classe média baixa que estão seduzidos por Sarah Palin e das mulheres que não foram conquistadas por ela e continuam indiferentes a Barack Obama.

Pelas pesquisas de ontem Obama tinha uma vantagem de 2.5% sobre McCain, a mesma margem de vitória do democrata sobre o republicano em 2004, mas às vésperas de um debate e de um possível mergulho numa recessão, a Pensilvânia é essencial e imprevisível.

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