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Atualizado às: 09 de setembro, 2008 - 08h17 GMT (05h17 Brasília)
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Corpo a corpo

Lucas Mendes

As primárias, como o nome indica, são primárias, algumas, como os cáucus, até primitivas. Dois por cento dos eleitores de um Estado decidem o vencedor.

As convenções são como um desfile das escolas vencedoras. Os destaques conquistam as noites. Às vezes, também os dias.

As próximas semanas até a eleição serão de combate, o corpo a corpo com os eleitores, olho no olho, debates de um contra um, entrevistas exclusivas e coletivas. Numa expressão chula, é o pega pra capar.

No corpo a corpo, Sarah Palin, sem ter entrado em nenhum pega, é campeã. Bate e ninguém tem coragem de revidar. Hillary Clinton foi mansa, Barack Obama nem fala o nome dela, Joe Biden está cheio de dedos.

Ela mudou o jogo da campanha e pode ser o fator decisivo nos estados cruciais. Pensilvânia, Michigan e Ohio estavam começando a pegar o azul democrata e os números viraram. As mulheres estão avermelhadas. Antes da convenção, Barack Obama estava com uma vantagem de 14% entre elas. Caiu para 3%.

Nas pesquisas nacionais ele liderava, agora aparece atrás com até 10% na pesquisa Gallup/USA. Não é um número confiável. A realidade está mais para 3 ou quatro por cento, mas em Estados como Pensilvânia, Ohio e Michigan, a diferença Sarah pode ser decisiva.

Neste vasto eleitorado, a Flórida decidiu – mal, mas decidiu - a eleição de 2000 a favor de Bush. Em 2004, o sul de Ohio matou os democratas. Num país de quase 300 milhões, alguns milhares mandam o candidato para a Casa Branca.

Este ano pode ser a Virgínia, um Estado que votou nos republicanos nas últimas
eleições, mas elegeu candidatos democratas nas últimas eleições estaduais. Pode ser a Flórida de 2000 e o Ohio de 2004.

Antes da campanha, a palavra de ordem dos republicanos era experiência, experiência, experiência. McCain tinha, Obama não. A dos democratas era mudança, mudança, mudança, o prato de Obama.

Desde a convenção, os republicanos, quando escolheram Sarah Palin como vice, sem nenhum disfarce, roubaram a palavra de ordem dos democratas. Mudança foi repetida nos discursos republicanos quase tantas vezes quanto nos democratas. Ninguém fala em experiência. O partido de John MCain não tem nada a ver com o de George W. Bush.

O homem atrás da virada de McCain é Steve Schmidt, um marqueteiro que trabalhou na campanha republicana para o Congresso em 2002 e na de Bush em 2004, o melhor aluno de Karl Rove, o estrategista chefe das campanhas de Bush. Foi ele quem sacou a energia dos “nichos” evangélicos e da direita conservadora das armas, contra o aborto, contra os impostos e mobilizou um incansável e obstinado exército de voluntários.

Barack Obama copiou a fórmula dele ao pé da letra nesta campanha e derrotou a máquina Clinton, que ignorou a força formiguinha. Segundo o Times, Schmidt é um gênio na manipulação das notícias.

A informação sobre a gravidez da filha solteira de Sarah Palin foi liberada pelos republicanos no auge do ataque do furacão Gustav. Entre um alagamento e outro, vinha um pedaço da notícia da gravidez, que seria muito mais explosiva num dia fraco de notícias.

Hoje os âncoras atacam a hipocrisia republicana que sempre acusou os pais e, em especial, as mães, pelas estrelas solteiras grávidas de Hollywood. Schimdt está por trás dos bem-sucedidos ataques à imprensa liberal, e a direita é implacável e muito melhor que os liberais nestes combates.

Na convenção eles gritavam contra a NBC e conseguiram tirar da ancoragem da campanha dois jornalistas da CNN considerados agressivamente liberais. O corpo a corpo chega a todos os níveis.

Sarah Palin mentiu e mente sobre o currículo dela na prefeitura de Wasilla e no governo do Alasca, é ignorante em política internacional e em muitas questões domésticas que não afetam o Estado dela.

Até agora os republicanos conseguiram protegê-la do contato direto com jornalistas, mas esta semana vai dar suas primeiras entrevistas e vamos ver se a ex-prefeita de Wasilla vai vacilar no corpo a corpo. Se ficar firme, Obama vai para o tapete.

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