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Morales chama líderes da oposição para reunião na Bolívia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente da Bolívia, Evo Morales, convocou para o domingo, em La Paz, uma reunião com os prefeitos (governadores) da oposição. A informação foi dada pelo prefeito de Tarija, Mario Cossío, na madrugada deste sábado, ao final de um encontro com o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera. O recado será passado por ele a outros líderes opositores que se recusam a sentar à mesa de negociações com o governo. "Estou convencido de que o momento para expressarmos nosso desejo de diálogo e de reconciliação é agora, e não mais tarde", havia dito Cossío antes do encontro. "Não devemos repetir a história de outros países que tiveram de sentar e dialogar apenas depois de milhares de mortes." Na segunda-feira, um encontro entre os países sul-americanos em Santiago, no Chile, também tratará do tema, informou o governo venezuelano. As tratativas ocorrem em meio a violentos enfrentamentos entre opositores e apoiadores do presidente Evo Morales. Na sexta-feira, o governo decretou estado de sítio no Departamento (Estado) de Pando, onde pelo menos 14 pessoas morreram no dia anterior. Em Santa Cruz, outro Departamento governado pela oposição, manifestantes voltaram a interromper o trânsito na fronteira com Corumbá, no Mato Grosso do Sul. As aulas continuaram suspensas e diferentes aeroportos continuam fechados. Um grupo de cerca de 20 estudantes ocupou a sede da Presidência boliviana em Santa Cruz, diante da polícia, que não ofereceu resistência. Internacionalização Ao mesmo tempo, o conflito se internacionaliza, com o governo boliviano acusando os Estados Unidos de apoiarem grupos que tentam desestabilizar o presidente Morales. La Paz e Washington já anunciaram a retirada mútua de embaixadores, medida realizada posteriormente pela Venezuela "em solidariedade à Bolívia". Na segunda-feira, os países da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se reunirão em Santiago, capital do Chile, para discutir o tema, informou o presidente venezuelano, Hugo Chávez, a um programa da TV oficial venezuelana. Chávez afirmou ter conversado com os presidentes de Brasil, Bolívia, Argentina, Paraguai, Chile, Equador e Colômbia sobre o encontro. "Estivemos fazendo consultas cruzadas e concordamos em nos reunir em Santiago do Chile na segunda-feira à tarde, para atuar a tempo, e não quando houver milhares de mortos na Bolívia", disse o líder venezuelano, segundo a Agência Bolivariana de Notícias "Há um golpe montado, vão tirar o Evo debaixo dos nossos narizes, um golpe na nossa América." O governo bolivariano já expressou que poderia intervir militarmente no vizinho aliado se o presidente eleito legitimamente for vítima de um golpe – possibilidade que as próprias Forças Armadas bolivianas rejeitaram. Em entrevista à BBC Brasil, o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro, disse que os militares bolivianos não souberam entender a mensagem de "solidariedade" da Venezuela, e insistiu que seu país exercerá o "direito à rebelião" para restituir o governo Morales em uma situação extrema. "Já foi o tempo em que os EUA promoviam golpes e os demais países assistiam sem reagir”, disse Maduro. Colaborou Márcia Carmo, enviada especial da BBC Brasil a Santa Cruz |
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