|
Mortes despertam temores de guerra civil na Bolívia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A morte de oito pessoas em confrontos no departamento (Estado) de Pando, na quinta-feira, despertou em diferentes setores o temor de que ocorra uma guerra civil na Bolívia. "Se nada mudar, estamos caminhando para uma guerra civil de baixa intensidade, mas guerra civil. Civis brigando contra civis e sem a intervenção das forças de segurança", disse à BBC Brasil o analista Gonzalo Chávez, diretor de mestrado para o desenvolvimento da Universidade Católica Boliviana. "É uma situação limite. As disputas eram com paus e pedras, mas agora tem gente armada." As mortes em Pando teriam sido provocadas por tiros, segundo o prefeito (governador) Leopoldo Fernández. Ainda segundo o analista, nas últimas horas o conflito extrapolou da esfera interna para internacional. "A declaração do presidente venezuelano (Hugo Chávez, de defender Morales com armas, se preciso) foi muito grave. O problema da Bolívia já tinha sido internacionalizado com a expulsão do embaixador dos Estados Unidos. Agora, então, mais ainda", disse. Ele salientou que as explosões no gasoduto para o Brasil e o fechamento da válvula de um gasoduto que abastece a Argentina provocaram um problema energético na região. Em Santa Cruz, nas longas filas para comprar botijão de gás, consumidores diziam: "Mandam gás para o Brasil e a Argentina e a gente não tem gás em casa". Interlocutores bolivianos afirmaram à BBC Brasil que os chanceleres do Brasil, da Argentina e da Colômbia teriam se oferecido para viajar a La Paz e participar das negociações na Bolívia. No entanto, o presidente boliviano Evo Morales teria declinado da oferta por considerar a situação "interna". Golpe cívico No fim da noite de quinta-feira, o vice-presidente do país, Álvaro García Linera, acusou uma "quadrilha de terroristas" de arquitetar um "golpe de estado cívico-empresarial". "Estamos diante de uma quadrilha de terroristas e assaltantes que está colocando em marcha um golpe de estado cívico-empresarial. Eles estão dispostos até a matar os bolivianos", acusou. Linera responsabilizou a Prefeitura de Pando pelas mortes. O presidente do Comitê Pró-Tarija, Reynaldo Bayard, também falou em "guerra civil", declarou. "Se continuar assim, vamos acabar numa guerra civil". Às lágrimas diante das câmeras de televisão, em La Paz, a ministra da Justiça, Celima Torrico Rojas, pediu "diálogo" e "o fim da violência". "Por que os civis acham que só eles podem chegar a determinados cargos, e nós, indígenas, não?", indagou. Foi uma jornada de troca de acusações pelas mortes em Pando, um dia depois que mais de 50 pessoas saíram feridas nos enfrentamentos em Tarija – pólo de gás – e na mesma semana em que também foram registrados incidentes em Santa Cruz e Beni. O prefeito (governador) de Santa Cruz, Ruben Costas, líder da oposição a Morales, acusou o governo central. "O governo Morales é o único responsável pelas mortes", disse. Em meio ao conflito, um grupo de manifestantes "obrigou", como informou a imprensa local, técnicos a desativar a válvula de um gasoduto que abastece a Argentina. Posse Ao mesmo tempo, funcionários do governo estadual de Santa Cruz, cercados por populares, entraram em prédios administrados pelo governo central – como correios e de arrecadação de impostos – e colocavam fitas em torno dos edifícios. "Autonomia, autonomia", gritavam. "Isso é para proteger o bem público." Na noite de quinta-feira, na praça principal de Santa Cruz de la Sierra, capital de Santa Cruz, grupos de jovens armados com paus soltavam fogos e eram observados de longe pelos moradores. Seguidores de Morales que vivem no chamado Plano 3000 – um grande bairro popular – evitaram a entrada de opositores ao presidente. Em meio à tensão, um grupo de militares disse diante das câmeras de TV que o presidente deve governar para todos e que o "entendimento é o caminho". |
NOTÍCIAS RELACIONADAS Confrontos deixam pelo menos oito mortos na Bolívia11 setembro, 2008 | BBC Report Chávez ameaça intervir na Bolívia em caso de golpe11 setembro, 2008 | BBC Report Novo incidente paralisa principal gasoduto Bolívia-Brasil11 setembro, 2008 | BBC Report Brasil manifesta apoio ao governo da Bolívia11 setembro, 2008 | BBC Report Bolívia: Explosões foram provocadas por incêndio intencional11 setembro, 2008 | BBC Report Entenda os protestos da oposição na Bolívia10 setembro, 2008 | BBC Report Morales expulsa embaixador dos EUA na Bolívia10 setembro, 2008 | BBC Report Explosão em gasoduto 'corta 10% do gás enviado ao Brasil'10 setembro, 2008 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||