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Atualizado às: 10 de setembro, 2008 - 18h52 GMT (15h52 Brasília)
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Explosão em gasoduto 'corta 10% do gás enviado ao Brasil'

O presidente da Bolívia, Evo Morales (arquivo)
Evo Morales enfrenta fortes protestos da oposição
Uma explosão na Bolívia nesta quarta-feira causou danos em parte de um gasoduto que leva gás ao mercado brasileiro e provocou a suspensão parcial do fornecimento.

O presidente da empresa estatal boliviana YPFB, Santos Ramírez, e o ministro da Presidência, Juan Ramon Quintana, afirmaram em uma entrevista coletiva em La Paz que o impacto no abastecimento do gás ao Brasil será de cerca de 10% do envio diário.

De acordo com eles, deverá haver uma diminuição diária de 3 milhões de metros cúbicos. Por contrato, a Bolívia tem que enviar 31 milhões de metros cúbicos de gás todos os dias ao país e tem cumprido o envio.

Apesar do anúncio oficial na Bolívia, a assessoria de imprensa do Ministério de Minas e Energia brasileiro afirmou que o governo da Bolívia não informou ao Brasil oficialmente sobre o que ocorreu e que até a tarde desta quarta-feira o fornecimento de gás permanecia normal. O Ministério afirmou ainda que busca mais informações com o governo do país vizinho e com a Petrobras na Bolívia.

Segundo Ramírez, a redução no envio do gás ao mercado brasileiro deve provocar perdas diárias de US$ 8 milhões aos cofres públicos da Bolívia. Ele informou ainda que a reparação do gasoduto será realizada num prazo de 20 dias e que vai custar mais de US$ 100 milhões, referentes às multas e danos causados no gasoduto.

A Bolívia produz em torno de 40 milhões de metros cúbicos diários de gás – quantidade insuficiente para atender a demanda interna e o contrato com a Argentina. Atualmente, a Argentina recebe menos gás do que gostaria.

Atentado

Na entrevista em La Paz, Ramírez e Quintana responsabilizaram os "prefeitos (governadores) e "cívicos" (como são chamados seus apoiadores) pela explosão no gasoduto. "O atentado contra o gasoduto ocorreu na altura do quilômetro 51, entre as usinas de San Antonio e San Alberto, em Tarija", disseram eles. Esses são os nomes de campos explorados pela Petrobras.

O Estado de Tarija é um dos cinco onde estão ocorrendo protestos contra o governo de Evo Morales por causa, entre outros motivos, do corte no repasse de verbas do setor petroleiro para os governos estaduais e contra a nova Constituição do país.

Em conversa com a BBC Brasil, o presidente do Comitê Civico de Tarija, Reinaldo Bayard, que faz oposição a Morales, negou que os manifestantes sejam responsáveis pelo ataque ao gasoduto. "Não fomos nós. Foi coisa do governo para nos responsabilizar", disse ele.

Bayard afirmou também que passou a noite em uma ocupação, na usina de Vuelta Grande, no caminho para a Argentina, onde é armazenado parte do gás que é enviado para o Brasil e o mercado argentino. De acordo com ele, “essa usina também está parada".

Proteção

A escalada de violência e, principalmente, a explosão no gasoduto levaram o governo do presidente Evo Morales a avaliar, nesta quarta-feira, o possível aumento da segurança nos departamentos governados pela oposição.

"A situação é muito delicada. Os distúrbios e ocupações ocorrem em Tarija, Santa Cruz, Beni e Pando e com menor intensidade em Chiquisaca", disse à BBC Brasil a assessoria de imprensa do ministério, responsável pelo envio de militares às regiões de conflito. “O governo está avaliando hoje o possível aumento da presença militar na região.”

Nos departamentos controlados pela oposição, grande parte dos organismos públicos do governo central, como os de arrecadação e de reforma agrária, já estão ocupados por manifestantes contrários a Morales.

Na terça-feira, pelo menos 16 pessoas ficaram feridas em confrontes entre manifestantes e militares. Há notícias de que novos confrontos provocaram mais feridos nesta quarta-feira, mas o Ministério da Defesa não divulgou nenhum dado oficial.

Falando à BBC Brasil sobre a situação nesses departamentos, o presidente do grupo de oposição União Juvenil Cruzenha, David Sejas, disse estar feliz com o que está ocorrendo. "Era tudo o que queríamos: a ocupação e o controle de todas as repartições públicas do governo central em Santa Cruz. Conseguimos a autonomia que queremos."

A União Juvenil Cruzenha faz parte da estrutura do Comitê Cívico Pró-Santa Cruz, principal reduto de oposição a Morales.

* Colaborou a redação em São Paulo

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