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Atualizado às: 12 de setembro, 2008 - 21h51 GMT (18h51 Brasília)
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Bolívia: Forças Armadas rejeitam 'ingerência' de Chávez

Protestos em Santa Cruz de la Sierra. Foto: AFP
A escalada de violência deixou mortos no país
As Forças Armadas da Bolívia rejeitaram, nesta sexta-feira, a advertência do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de uma "intervenção armada no país", caso a oposição tente "derrubar" o presidente da Bolívia, Evo Morales.

Ao mesmo tempo, moradores de Santa Cruz de la Sierra, capital do Departamento (Estado) de Santa Cruz, realizaram protestos em frente ao Consulado da Venezuela, pedindo a saída dos diplomatas venezuelanos do país.

Líderes da oposição, como a prefeita (governadora) de Chuquisaca, Savina Cuellar, fizeram a mesma declaração. "Se o embaixador dos Estados Unidos é expulso, então também deveríamos expulsar o embaixador da Venezuela", disse.

O comandante das Forças Armadas, general Luis Trigo, leu um comunicado diante das câmeras de televisão, defendendo a "independência" da organização e a "não intromissão" estrangeira na Bolívia.

"Ao senhor presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e à comunidade internacional declaramos que as Forças Armadas rejeitam, enfaticamente, intromissões externas de qualquer índole, venham de onde venham", disse Trigo.

Ele afirmou ainda que não se "tolerará mais" as ações de "grupos radicais e violentos", como os que atuaram nos últimos dias, em diferentes pontos do país.

O militar afirmou ainda que o fato de as Forças Armadas não terem usado, nos últimos dias, a força e as armas, não significa que a instituição esteja atuando contra a "ordem constitucional" em vigor. Trigo disse que a movimentação de tropas – por determinação do governo Morales, para as áreas de produção de gás – tem o objetivo de garantir a "ordem interna" e que não se usará a força "contra o povo".

Represália

As declarações de Trigo foram feitas um dia depois que Chávez afirmara que sairá em defesa de Morales – até com armas – caso necessário.

O episódio ocorreu depois que o líder boliviano pediu, num discurso em La Paz, na quarta-feira, a saída do embaixador dos Estados Unidos do país.

No dia seguinte, o governo americano também pediu que o embaixador venezuelano em Washington deixasse o país. O mesmo gesto de expulsão do embaixador foi feito por Chávez, na Venezuela.

Nesta sexta-feira, a imprensa boliviana informou que em represália ao gesto de Morales, congressistas americanos, membros da sub-comissão de Assuntos Exteriores do Hemisfério Ocidental, pediram que seja negada a extensão da Lei de Promoção Comercial Andina e de Erradicação da Droga (ATPDEA) para a Bolívia. ATPDEA é uma preferência tarifária que inclui ainda Colômbia, Peru e Equador.

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