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Atualizado às: 09 de setembro, 2008 - 09h15 GMT (06h15 Brasília)
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Eliminação do dólar favorece poucas empresas, diz 'La Nación'
Os presidentes Luis Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner (Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr)
Lula e Cristina fizeram o anúncio na segunda-feira
A possível eliminação do dólar nas transações comerciais entre Brasil e Argentina não deve provocar uma mudança radical nas relações bilaterais e deverá beneficiar apenas algumas pequenas e médias empresas, segundo reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal argentino La Nación.

A medida, anunciada na segunda-feira pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva e pela presidente argentina Cristina Kirchner, é opcional e foi adotada como um dos passos para aumentar a integração entre os dois países.

Para a presidente argentina, o uso do real e do peso em vez do dólar é “uma questão cultural”; para Lula, é o “passo inicial para uma futura integração monetária”.

Já o presidente da Câmara de Exportadores da República Argentina, Enrique Mantilla, disse ao La Nación que “o maior ou menor uso do novo mecanismo vai depender de se a empresa trabalha a crédito. Se eu compro em pesos a 180 dias e me dão um financiamento alto, vou preferir que a operação seja em dólares, com menos taxas”.

Para Mantilla, “é sempre melhor ter mais uma alternativa”, mas apenas as pequenas e médias empresas, com pouco fluxo comercial e pequeno volume de trocas deverão se beneficiar.

De acordo com a medida, que entra em vigor no dia 3 de outubro, as empresas exportadoras argentinas vão poder emitir sua fatura aos compradores brasileiros em pesos, como se estivessem vendendo o produto a uma empresa argentina. Os brasileiros, por sua vez, vão poder emitir suas faturas em reais.

Os bancos centrais da Argentina e do Brasil vão fazer o intercâmbio de moedas e vão publicar, diariamente, a taxa de câmbio entre pesos e reais, sem que seja necessário o uso do dólar.

“Na chancelaria argentina afirmam que este é o primeiro passo não apenas para a integração financeira do Mercosul, mas também para a moeda comum, um projeto que demorou 45 anos para se concretizar na União Européia”, escreve o La Nación, lembrando que o Mercosul tem apenas 17 anos.

“No Palácio San Martin (sede do Ministério das Relações Exteriores argentino), confiam que, se o comércio de bens sem o dólar funcionar, depois será desdolarizado o intercâmbio de serviços, incluído o turismo, e, mais tarde, se integrarão os mercados de capitais.”

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