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Obama buscará juntar paixão e conteúdo em discurso; assista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Diante de uma platéia de 80 mil pessoas, Barack Obama vai ter nesta quinta-feira que conciliar aquela que é considerada sua maior qualidade, despertar paixão nos eleitores, e tentar contornar aquele que é tido como seu maior defeito, o de não ser específico o suficiente em suas propostas. O senador fará o pronunciamento que marca o fim da Convenção Nacional Democrata, que ratificou a sua candidatura, a primeira de um negro à Presidência americana por um grande partido. Obama precisará tirar as dúvidas e reforçar as certezas de eleitores a respeito de quem ele é, no que ele acredita e por que ele daria um presidente dos Estados Unidos melhor do que o rival John McCain. O próprio candidato resumiu da seguinte forma a sua missão: "Eu acho que eu tenho que fazer duas coisas. Deixar a escolha entre eu e John McCain o mais clara possível. Não quero que as pessoas fiquem confusas. (...) Durante uma campanha de 19 meses, você está na tela de TV, em grandes auditórios, mas às vezes você se perde. Quero que as pessoas saiam dizendo: 'Quer eu vá votar ou não no sujeito, eu sei o que ele representa'''. Para mostrar o que ele representa, Obama vai procurar mostrar também o que representaria a vitória de seu rival. O senador deverá frisar que o voto em John McCain representa a opção por uma política econômica que estaria deixando os americanos com menos dinheiro no bolso e um cheque em branco para a guerra bilionária no Iraque, cujo desfecho não parece próximo. Ao longo da semana, diversas lideranças do Partido Democrata procuraram tanto esmiuçar quem é Barack Obama como contrastar as suas visões com a de McCain. A mulher do senador, Michelle Obama, procurou frisar as qualidades do candidato democrata como um pai de família, desapegado a bens materiais e cujo interesse pelo bem-estar do próximo o acompanha muito antes de seu ingresso na política. Discurso Obama começou a rascunhar seu discurso na semana passada, assinando uma primeira versão a mão. Ele leu discursos de convenções passadas, feitos por três presidentes aos quais já foi comparado: Bill Clinton, Ronald Reagan e John Kennedy. Somente seus assessores mais próximos, o estrategista-chefe da campanha de Obama, David Axelrod, e o principal autor de seus discursos, Jon Favreau, sabem algo sobre o conteúdo do pronunciamento. Acredita-se que as frases de Obama seguirão o espírito do discurso que celebrizou o candidato, quando, em 2004, ele fez um pronunciamento durante a Convenção Nacional Democrata. Na ocasião, Obama citou a sua biografia como uma prova do sucesso do sonho americano, lembrando que ele é o filho de um africano e de uma mulher branca do Kansas, que o criou praticamente sozinha, mas que, graças a sua obstinação, conseguiu chegar a Harvard e construir uma próspera carreira. Agora, a ênfase não deve se dar tanto nos dados biográficos do candidato, mas sim naquilo que ele verdadeiramente acredita e espera implementar se chegar à Casa Branca. Será possível avaliar com certa rapidez se Obama teve ou não sucesso em sua empreitada. Analistas políticos americanos dizem que discursos de agradecimento em convenções costumam muitas vezes impulsionar candidaturas, como aconteceu com Bill Clinton, em 1992, que avançou 12 pontos nas pesquisas após seu pronunciamento. As projeções são de que o candidato democrata poderá obter de cinco a dez pontos por seu desempenho nesta quinta-feira à noite. |
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