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Atualizado às: 28 de agosto, 2008 - 07h59 GMT (04h59 Brasília)
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Lucas Mendes: Obama sem drama

Os roteiros das convenções políticas americanas são tão amarrados, como o Oscar e outras noites americanas de prêmios, mas sem as surpresas dos envelopes, a profundidade dos decotes, os encantos das mulheres e a atração dos homens.

Na falta de emoção e do interesse da massa americana pela política, as redes de televisão se limitam a cobrir uma hora por noite, a partir das dez. As tevês por assinatura mostram as cinco horas mas não mostram tudo e passam mais tempo com seus analistas, alguns tão atraentes quanto as estrelas de cinema. Quem quer assistir à convenção nua e crua vai para o www.

Uma pena. Pelas influências militar e econômica, nenhum povo deveria ter mais educação política do que o americano, mas Michelle Obama e Ted Kennedy falaram para uma minoria na segunda à noite. Ela, inteligente e despojada, ele, eletrizante até no câncer.

Na segunda noite a maioria dos americanos poderia ter conhecido o governador de Montana, Brian Schweitzer, que lembrou o Barack Obama da convenção de 2004 e pode ser o Obama de 2012.

Mas a grande performance foi da estrela Hillary Clinton, que deixou milhões de americanos lacrimejantes e na dúvida: porque ela não é a candidata nem está na chapa como vice?

Outro Clinton, tão capaz de levitar audiências quanto Barack Obama, roubou a terceira noite. Antes de abrir a boca, a convenção estava de pé, incontrolável e desobediente. Apesar dos apelos dele, não parava de aplaudir e gritar. Mais do que a senhora Clinton, estes democratas gostariam do senhor Clinton de volta na Casa Branca.

Quantos filmes de Hollywood oferecem a emoção de um Bill Clinton inspirado em um palco na frente de dois telões?

O ex-presidente, como sua mulher, foi generoso nos elogios a Barack Obama. Em 92, quando foi candidato pela primeira vez, lembrou que seus adversários diziam que não estava preparado para ser presidente: “Hoje dizem o mesmo sobre Barack Obama. Não acreditem!” (não só Bill e Hillary fizeram a mesma crítica durante as primárias, mas como Joe Biden, candidato a vice, disse a mesma coisa em um debate que será usado em breve nos comerciais republicanos).

A equipe Obama queria Bill Clinton limitado à política externa, mas é impossível controlar o verbo do ex-presidente. Ele governou o país durante oito dos anos mais prósperos e pacíficos dos Estados Unidos no século 20 e, entre os íntimos, não esconde sua frustração com Barack Obama, que raramente reconhece os méritos da administração Clinton.

A equipe Obama tem um lema: Obama sem drama. Sob o comando de Obama, o objetivo é conseguir uma vitória política meteórica, derrubar a mais poderosa disnastia democrata e conduzir uma campanha sem escândalos com uma rigidez quase militar. O controle desta convenção era absoluto, mas os obamistas não conseguiram evitar que os Clinton roubasssem a cena nas duas das três primeiras noites.

Uma das missões do candidato a vice-presidente, Joe Biden, era fazer a convenção esquecer os Clinton e colocar Obama no centro da ação. Senador pelo Estado de Delaware, no sexto mandato, Biden é um dos políticos mais influentes e qualificados do Congresso, orador brilhante com uma história pessoal dramática, conectado com a classe média branca indispensável para a vitória de Obama.

Sua missão foi cumprida não pelo discurso, mas pela rápida aparição de Barack Obama, que não precisa abrir a boca para roubar a cena, mas foi igualmente generoso nos agradecimentos, em especial, aos Clinton e Biden.

Como vai ser o final desta convenção hoje à noite? Happy End de Obama sem Drama.

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