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Análise: Saída de Musharraf sinaliza mudança na guerra ao terror | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A renúncia do presidente paquistanês Pervez Musharraf é um sinal de como a chamada 'guerra contra o terror' está mudando. Musharraf já foi considerado o pilar da aliança paquistanesa com os Estados Unidos. Agora, estão contados os dias em que apenas um homem é capaz de estabelecer e executar políticas no governo no Paquistão. O país começa a apostar mais na emergência de instituições democráticas para oferecer uma alternativa ao extremismo. Logo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, o presidente americano, George W. Bush, estabeleceu frentes de batalha, e o presidente Musharraf se posicionou para ocupar a linha de frente. Mas hoje a Al-Qaeda é vista como uma organização enfraquecida - na defensiva no Iraque e incapaz de se reorganizar no Afeganistão - apesar de manter a ambição e o potencial para causar danos reais. Em uma situação como essa, há menos necessidade de apelos contra o extremismo e mais necessidade de construir governos representativos, tanto no Iraque como, agora, no Paquistão. Isto explica, em parte, por que para os Estados Unidos e a Grã-Bretanha a saída do ex-aliado importa menos do que no passado. A época de Musharraf veio e passou. Mudança de liderança A 'guerra contra o terror' está provando ser um conflito de seu tempo, semelhante talvez à Guerra Fria, que viu o comunismo no poder na Rússia, metade da Europa e na China por 50 anos antes de o regime acabar ou mudar significativamente. Naquele tempo, as democracias ocidentais adotaram uma abordagem dupla - mantinham um forte poder militar de dissuasão, enquanto desenvolviam governos mais dinâmicos. As mesmas táticas são observadas agora, à medida que a guerra contra o terror segue adiante. No lugar de Musharraf entra uma liderança civil, embora em um governo de coalizão instável, cujo futuro é incerto e cuja capacidade de combater o extremismo em áreas tribais ainda não foi testada. Ainda não se sabe quem será o próximo presidente. Mas a coalizão foi produto de eleições, não de um golpe, e portanto está sendo protegida por Washington e Londres como uma base mais sólida para a ação futura, em detrimento do enfraquecido Musharraf. Segundo os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, é das áreas tribais paquistanesas que os integrantes do Talebã saem para lutar no Afeganistão, onde representam um perigo real às forças da Otan que apóiam o presidente Hamid Karzai. A ligação representa uma grande razão para que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha acompanhem - e tentem influenciar - os eventos no Paquistão tão de perto. O papel dos militares Mas muito dependerá, como sempre no Paquistão, dos militares. O chefe do Exército, general Ashfaq Kayani, se colocou ao lado da liderança civil e, há pouco tempo, demonstrou suas intenções reposicionando comandantes apontados por Musharraf. O Exército ainda tem uma grande tarefa nas regiões fronteiriças. O Paquistão continua no coração de uma região que preocupa grande parte do mundo. Entretanto, previsões alarmantes de que o país, que possui armas nucleares, cairia nas mãos de fundamentalistas islâmicos não se materializaram. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Musharraf renuncia à Presidência do Paquistão18 agosto, 2008 | BBC Report Sob ameaça de impeachment, Musharraf pede 'reconciliação'14 agosto, 2008 | BBC Report Aliados apóiam impeachment do presidente Musharraf07 agosto, 2008 | BBC Report EUA acusam órgão do Paquistão de ajudar Al-Qaeda, diz ministro paquistanês31 julho, 2008 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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