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Atualizado às: 13 de agosto, 2008 - 11h36 GMT (08h36 Brasília)
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Tanques russos voltam a entrar em Gori
Refugiada da cidade de Gori
Estima-se que conflito já deslocou cerca de 100 mil pessoas
Tanques russos voltaram a entrar na cidade georgiana de Gori, horas após Rússia e Geórgia estabelecerem uma trégua para suspender as operações militares.

Veículos armados russos parecem ter desmantelado e destruído bases do Exército georgiano na cidade.

Momentos depois da entrada em Gori, uma coluna de veículos blindados, incluindo transportadores de armas antiartilharia, foi vista deixando a cidade e tomando a rodovia principal que leva a Tbilisi.

Entretanto, a Rússia negou que os veículos estejam se dirigindo à capital da Geórgia. Um porta-voz das forças russas alegou que os militares estavam removendo equipamentos e munição de uma base militar georgiana fora da cidade.

A cerca de 15 km de Tbilisi, a repórter da BBC Natalia Antelava disse que um posto de checagem da polícia georgiana foi montado, e que a rodovia para Gori está fechada.

A correspondente viu diversos caminhões militares e duas armas antitanques das forças georgianas passar pelo local em direção a Gori.

Saques e seqüestros

A movimentação expõe a fragilidade do cessar-fogo em vigor, disse o repórter da BBC Gavin Hewitt. Moradores fugindo de Gori disseram que saques e seqüestros estão acontecendo na cidade.

Muitos contam ter visto suas casas sendo incendiadas. Uma nuvem de fumaça cobre o mercado principal. A situação poderia ser ainda mais crítica nas cidades ao redor.

Relatos implicariam rebeldes separatistas e tropas russas nos saques - em um comunicado, a Rússia negou qualquer envolvimento, afirmando que essas versões "não têm absolutamente nenhum fundamento".

Gori é a cidade georgiana mais próxima da divisa sul da Ossétia do Sul, região separatista da Geórgia que conta com a simpatia russa.

O vilarejo é onde, no fim de semana, relatava-se que as tropas georgianas se concentravam para mobilizações contra os separatistas.

Entretanto, as forças georgianas foram expulsas da cidade pelas forças russas, que afirmaram que sua atividade no local estava encerrada.

Ossétia do Sul

A destruição também se espalhou pela Ossétia do Sul.

A correspondente da BBC Sarah Rainsford, que está no centro da capital ossetiana, Tskhinvali, os principais escritórios do governo foram destruídos.

A repórter descreveu edifícios residenciais com janelas quebradas e buracos feitos por balas e estilhaços.

Residentes que vasculham o que sobrou de suas casas disseram que não têm água nem eletricidade em porões onde se esconderam com suas famílias.

Um porta-voz do Exército da Rússia disse que Tskhinvali está sob controle russo e que nenhuma ordem foi dada até agora para uma retirada, embora não haja mais relatos de combates sérios.

Diplomacia

Enquanto isso, ministros do Exterior reunidos em Bruxelas disseram que pretendem enviar monitores à Geórgia - mas necessitariam do apoio da ONU para tanto.

"Estamos determinados a agir no terreno, e pediu-se à Comissão (Européia) e aos altos representantes que preparem esta intervenção", disse o ministro francês do Exterior, Bernard Kouchner.

"É difícil dizer que estamos otimistas. Mas estamos animados com o que vimos hoje de manhã. Mas precisamos fazer isto via ONU."

O chefe da diplomacia européia, Javier Solana, disse que a UE se compromete a prover ajuda humanitária e assistência à reconstrução assim que a situação permitir.

Os presidentes da Rússia e da Geórgia teriam concordado com os princípios gerais de uma proposta apresentada pelo presidente Sarkozy.

Um dos principais pontos do plano indica que as todas as tropas devem retornar às áreas que estavam antes do início dos conflitos.

Os combates começaram na noite de quinta-feira, quando a Geórgia enviou seu Exército para retomar o controle da Ossétia do Sul, região onde há um grande número de habitantes com passaporte russo.

A Rússia enviou tropas à Ossétia do Sul e à Abecásia, uma outra província separatista georgiana. Cidades na Geórgia fora das duas regiões também foram bombardeadas.

Estima-se que cerca de 100 mil pessoas ficaram desabrigadas por causa do conflito.

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