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Atualizado às: 11 de agosto, 2008 - 18h51 GMT (15h51 Brasília)
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'Georgianos do Brasil' vivem sonho em Pequim

Geor no ataque
Renato Gomes, o Geor, enfrentou Ricardo e Emanuel em Pequim
Apesar da derrota por 2 sets a 0 (21/19 e 21/17), os paraibanos Renato Gomes e Jorge Terceiro realizaram um sonho nesta segunda-feira: enfrentaram na Olimpíada de Pequim os atuais campeões do vôlei de praia nos Jogos Olímpicos.

O detalhe fundamental é que, do outro lado da rede, estavam os brasileiros Ricardo e Emanuel, enquanto Renato e Jorge defendiam a Geórgia - país que vive uma crise devido ao conflito com russos e rebeldes na região da Ossétia do Sul.

"Todos estão bem apreensivos com tudo isso que está acontecendo", afirma Jorge, ao falar da crise na Geórgia. "É triste, mas vamos ver no que vai dar tudo isso."

"A gente tem tentado ficar a par de tudo, sempre solidário, mas é muito difícil porque a gente não sabe o que eles estão vivendo", acrescentou Renato, que, apesar de defender a Geórgia, se refere aos "compatriotas" como "eles".

Quando defendem o país que adotaram, Renato joga com o nome de Geor, e Jorge é Gia - a dupla é conhecida no circuito internacional como Geor/Gia.

"É uma forma de eles tentarem associar o nome ao país que eles estão defendendo", aprova o adversário e amigo Ricardo. "E é uma oportunidade de ter mais brasileiros nos Jogos Olímpicos."

Jorge foi parceiro de Ricardo em 2002 e, há quatro anos, as duas duplas que se enfrentaram nesta segunda-feira costumam treinar juntas.

"Realizei dois sonhos: primeiro, o de participar da Olimpíada, e segundo, de jogar contra eles (Ricardo e Emanuel) aqui dentro da Olimpíada", afirmou Jorge.

Naturalização

Os dois paraibanos receberam o convite para se naturalizar e defender a Geórgia no circuito mundial de vôlei de praia - o que já fazem desde 2006. A oportunidade, mais tarde, se transformou em chance de participar da Olimpíada de Pequim.

"A nossa relação é jogo", admite Renato. "Temos nossa casa lá (na Geórgia), mas vivemos e treinamos só no Brasil."

Na última sexta-feira, com o agravamento do conflito na Ossétia do Sul, a delegação georgiana ameaçou se retirar de Pequim e o sonho de Jorge e Renato quase acabou, antes mesmo de começar.

"Recebemos de madrugada a notícia de que o conflito estava pior e surgiu essa possibilidade de a gente deixar os Jogos", conta Renato.

"No começo, ficamos tristes, mas não tristes por ter que sair, e sim por eles", acrescenta. "O que a gente podia fazer era tomar a posição que eles decidissem."

O Comitê Olímpico Georgiano decidiu permanecer na Olimpíada, mas os brasileiros naturalizados dizem que o clima entre os atletas do país na Vila Olímpica ficou tenso.

"A notícia que eles estão recebendo é a mesma que todos nós estamos recebendo pela internet porque nem todos estão conseguindo ligar para casa", descreve Jorge.

Preocupação

Apesar dos sinais de uma relação distante com o país que representam, Jorge e Renato dizem ter amigos na Geórgia e manifestam preocupação especial com a situação de Levan Akhvlediani, presidente da Federação Georgiana de Voleibol, que está em Pequim.

"O nosso presidente da confederação tem uma esposa lá e uma filha que nasceu há pouco tempo", diz Renato. "Ele está sem comunicação com ela em Tbilisi."

"A gente está muito preocupado com ele", acrescenta. "Queria muito ter ganhado esse jogo para dar um pouco de alegria a ele."

Apesar de lamentar a derrota, Renato confessa ter gostado da sensação de jogar diante da torcida brasileira e ter encontrado uma recepção calorosa.

"Acredito que a torcida entendeu o nosso papel aqui", afirmou. "A gente estava representando outra nação, mas o coração é brasileiro."

Antes da Olimpíada, o parceiro de Jorge foi convidado para participar de uma propaganda na Geórgia para promover a delegação olímpica do país. No vídeo, Renato aparecia cantando o hino georgiano.

"Foi bem engraçado, mas, ao mesmo tempo, ele ficou meio ansioso porque treinou bastante para cantar o hino", recorda Jorge.

"Todos gostaram de ver um brasileiro cantando o hino da Geórgia", avalia o paraibano. "Acho até que, se você pegar um chinês e botar para cantar o hino do Brasil, é bem emocionante", concluiu.

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