|
Presidente da Geórgia acusa Rússia de invadir seu território | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, acusou nesta sexta-feira a Rússia de atacar o território de seu país em apoio a grupos separatistas da região da Ossétia do Sul. "A Rússia está lutando uma guerra contra nós em nosso território", disse ele, em uma entrevista à rede de TV CNN. "Isto é uma clara intrusão no território de um país alheio." Já a agência Reuters reproduziu declarações do chefe de Estado afirmando que suas tropas derrubaram caças russos voando sobre o território da Geórgia. "Há tanques russos no nosso território, caças em nosso território em plena luz do dia", disse o presidente, segundo a agência. "Devo informar que forças georgianas derrubaram dois caças russos sobre o território da Geórgia." A Geórgia acusa a Rússia de praticar uma ofensiva militar terrestre e aérea contra seu território como retaliação aos conflitos entre tropas georgianas e separatistas na região de Ossétia do Sul. As tropas da Geórgia cercaram a capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali, nesta sexta-feira, depois de uma noite de intensos conflitos e ofensivas aéreas na região. Os combates começaram poucas horas depois de acertado um cessar-fogo em conversações mediadas pela Rússia. Cada lado culpa o outro pela quebra do cessar-fogo. Pelo menos 15 civis teriam sido mortos e há relatos de que os moradores estariam se escondendo em porões durante os conflitos. O governo da Geórgia afirma que pretende encerrar o que chama de "um regime criminoso" e restabelecer a ordem na região. Segundo o premiê georgiano, Lado Gurgenzide, as operações militares na Ossétia do Sul irão continuar até que seja estabelecida a "paz estável". "Assim que a paz estável for alcançada, iremos seguir adiante com o diálogo e com as negociações pacíficas", afirmou. A violência despertou temores de uma nova guerra na volátil região do Cáucaso. A ONU convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para discutir a escalada da tensão na região, mas o encontro fracassou em emitir um comunicado pedindo a renúncia do uso da força dos dois lados. Conflito O embaixador russo da ONU, Vitaliy Churkin, descreveu a ofensiva da Geórgia como uma "traição". De acordo com a emissora de televisão russa Vesti TV, ele teria afirmado durante a reunião emergencial do Conselho de Segurança que a situação na zona de conflito teria atingido um "ponto dramático". Moscou, que apóia os separatistas da Ossétia do Sul, pediu que a comunidade internacional trabalhe em conjunto para "evitar o derramamento de sangue maciço e novas vítimas". O premiê russo, Vladimir Putin, que está na China para a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, afirmou que a Rússia irá reagir às "ações agressivas" da Geórgia.
O Kremlin afirmou ainda que irá defender os cidadãos russos que moram na região do conflito. Há relatos de que centenas de combatentes da Rússia e da outra região separatista da Geórgia, a Abkházia, estariam se dirigindo à Ossétia do Sul para ajudar as forças separatistas. A Geórgia acusa a Rússia de armar os rebeldes da Ossétia do Sul, que tentam a separação desde a guerra civil da década de 90, quando a região declarou sua independência. Moscou nega essas acusações. A Rússia está insatisfeita com a ambição da Geórgia de integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança de defesa ocidental), e acusou o país de concentrar suas forças em torno das regiões separatistas, onde tropas de paz russas estão estacionadas. Conflito Depois da queda da União Soviética, em 1991, a Geórgia votou pela restauração da independência que havia brevemente experimentado durante a Revolução Bolchevique. No entanto, a postura nacionalista resultou em problemas com a região norte de sua fronteira, habitada pelos ossetas – um grupo étnico distinto natural das planícies russas, ao sul do rio Don. A Ossétia do Sul fica do lado georgiano da fronteira, enquanto a Ossétia do Norte fica em território russo. Apesar disso, os laços entre as duas regiões permaneceram fortes e o movimento pela independência osseta foi estimulado pelas dificuldades enfrentadas na época dos czares, no período comunista até atualmente. Quando a Geórgia se separou da União Soviética, o governo nacionalista proibiu o partido político da Ossétia do Sul, o que levou os ossetas a boicotarem a política georgiana e realizarem suas próprias eleições – pleito que foi considerado ilegal pela Geórgia. Os conflitos entre os separatistas e as forças georgianas começaram nesta época, mas o Exército da Geórgia não exterminou os rebeldes ossetas por medo de uma intervenção russa. A Ossétia do Sul proclamou sua independência em 1992, mas sua autonomia não foi reconhecida pela comunidade internacional. A região quer ser agregada à Federação Russa, assim como a Ossétia do Norte. A situação está frágil desde 1990 e se agravou ainda mais há quatro anos, quando os georgianos começaram a realizar operações policiais e de combate ao contrabando na região. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Conselho de Segurança discutirá crise na Geórgia08 agosto, 2008 | BBC Report UE e Rússia lançam negociações para novo pacto27 junho, 2008 | BBC Report Rússia expulsa dois militares de embaixada, dizem EUA08 maio, 2008 | BBC Report Otan aprova proposta de escudo antimísseis dos EUA na Europa03 abril, 2008 | BBC Report Oposição acusa fraude em eleição na Geórgia06 janeiro, 2008 | BBC Report Observadores europeus avalizam eleição na Geórgia 06 janeiro, 2008 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||