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Atualizado às: 19 de julho, 2008 - 19h04 GMT (16h04 Brasília)
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Amorim acusa países ricos de manipular informações sobre Doha

O ministro Celso Amorim em foto de arquivo
Amorim: se não sair agora, acordo deverá 'tardar três ou quatro anos'
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, acusou neste sábado os países ricos de manipular informações sobre as negociações da Rodada Doha, em uma estratégia que ele disse lembrar a utilizada pelo chefe de propaganda nazista Joseph Goebbels.

Segundo o ministro, líderes desses países se baseiam em fórmulas diferentes de redução de alíquotas ao se referir às negociações, o que daria a entender que as concessões que poderão fazer em agricultura são muito maiores que as que os países em desenvolvimento estão dispostos a aceitar no capítulo industrial.

"Essa é uma afirmação sob medida para aqueles que não querem fazer sua parte em agricultura”, disse Amorim, em entrevista coletiva em Genebra, às vésperas de uma reunião entre os ministros da Organização Mundial do Comércio (OMC) considerada decisiva para a rodada.

“Isso me recorda Goebbels”, disse Amorim, lembrando a máxima do oficial nazista de que uma mentira repetida muitas vezes se torna verdade.

Proposta atual

Segundo Amorim, a proposta para agricultura acabou incorporando todo tipo de exceção e privilégio para acomodar as alegadas dificuldades dos países desenvolvidos.

“O texto sobre agricultura foi escrito com a idéia de obter mais flexibilidades para os países ricos (protegerem seu mercado). Já o sobre indústria foi escrito com a idéia de obter acesso máximo ao mercado dos países em desenvolvimento.”

Amorim destacou que a proposta atual limita os subsídios para os agricultores dos Estados Unidos a US$ 13 bilhões, o dobro dos US$ 7 bilhões que o país concede atualmente.

Já o Brasil cortaria em 30% as tarifas mais altas que hoje incidem sobre a importação de bens industriais, mesmo se o país decidisse proteger alguns produtos (com as flexibilidades que permitem aos países em desenvolvimento limitar os recortes).

“Isso deve ser dito com todas as letras. Caso contrário, estamos desinformando todo o público e, freqüentemente, desinformando também os próprios líderes e não podemos ter um acordo baseado em desinformação.”

Mais esforços

Para Amorim, o êxito dessa rodada de negociações dependerá de que os países ricos façam maiores esforços em agricultura e não tragam mais exigências ao capítulo de bens industriais, justamente o contrário do que União Européia e Estados Unidos se dizem dispostos a fazer.

Na semana passada o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, disse que uma de suas prioridades em Genebra será garantir o estabelecimento de cláusulas anti-concentração na proposta para o setor industrial.

Esse mecanismo limitaria o nível de flexibilidade com o qual os países em desenvolvimento poderiam proteger determinados setores na hora de aplicar os recortes de tarifas.

“(Exigir essas cláusulas) é uma receita para o fracasso”, sentenciou o ministro.
Ainda assim, Amorim garantiu que o Brasil chega à reunião disposto a entrar em um acordo.

“Se perdemos esse momento agora, provavelmente tardará três ou quatro anos, mas teríamos uma Rodada mais favorável que esta. Mas, claro, há riscos, e por isso temos uma razão sistêmica para tentar ter (um acordo) agora”.

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