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Suspeito de planejar 11/9 quer pena de morte | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O principal suspeito de ter planejado os atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos disse nesta quinta-feira a um tribunal militar em Guantánamo que espera ser condenado à morte. Khalid Sheikh Mohammed, que foi capturado no Paquistão em 2003, descreveu o julgamento como uma “inquisição”. Ele está sendo julgado junto a outros quatro suspeitos. Ele disse que viveu cinco anos “sob tortura” e deseja se tornar um mártir. Todos os cinco suspeitos podem pegar pena de morte se forem condenados pelo tribunal militar americano em Cuba. Segundo o repórter Jonathan Beale, da BBC – um dos 60 jornalistas internacionais presentes ao julgamento – esta foi a primeira vez que Khalid Sheikh Mohammed foi visto em público desde sua captura. Segundo Beale, ele está bem diferente da fotografia tirada na ocasião de sua prisão, em que aparece descabelado e com a barba por fazer. Trajes típicos Os cinco réus se apresentaram vestidos de branco, com trajes árabes típicos. Apenas Ramzi Binalshibh estava acorrentado. Quando o coronel Ralph Kohlmann, que preside o júri, disse a Khalid Sheikh Mohammed que ele pode ser condenado à morte, ele respondeu: “Isto é o que quero, tenho querido ser um mártir há algum tempo”. Segundo Beale, o suspeito começou a entoar uma reza em árabe, que se traduz como “Deus é todo suficiente”. Apesar de uma advertência do juiz contra se auto-representar na corte, Khalid Sheikh Mohammed disse que não poderia aceitar um advogado “que fosse parte da diabólica constituição americana”. Os Estados Unidos descrevem o suspeito – que se acredita ser o terceiro no comando da al Qaeda “como um dos terroristas mais infames da história”. Binalshibh é um iemenita descrito pelos Estados Unidos como o coordenador dos atentados de 11 de Setembro que, segundo oficiais dos serviços de inteligência, deveria ter sido um dos seqüestradores dos aviões, mas não conseguiu visto para entrar no país. Ele também disse à corte que queria ser “martirizado”. “Tenho procurado o martírio por cinco anos”, disse ele. Waterboarding Depois de preso, o suspeito foi mantido em uma prisão secreta da CIA, onde foi submetido a duras técnicas de interrogação, que incluíam a prática conhecida como waterboarding – que consiste em uma espécie de afogamento simulado do prisioneiro – até ser transferido para a prisão de Guantánamo, há dois anos. O exército americano afirma que além de ter admitido envolvimento nos atentados de 11 de Setembro, ele confessou ter se envolvido em mais de 30 planos terroristas em todo o mundo, inclusive planos para atacar o Big Ben e o edifício Canary Wharf – símbolo de um dos centros financeiros da cidade – em Londres. Os cinco suspeitos são os mais importantes membros da al Qaeda já capturados pelos Estados Unidos, e será difícil substituí-los. Além de Khalid Sheikh Mohammed e Binalshibh, estão sendo julgados Mustafa Ahmad al-Hawsawi, um saudita acusado de ter arranjado financiamento para os atentados; Ali Abd al-Aziz, suspeito de ser o braço direito de Khalid Sheikh Mohammed, seu tio; e Walid Bin Attash, um iemenita que, segundo o Pentágono, admitiu ter planejado o atentado contra o destroyer americano USS Cole no Iêmen, no ano 2000, no qual morreram 17 fuzileiros navais americanos. Ele também é suspeito de envolvimento nos atentados de 11 de Setembro. As acusações contras o réu listam “169 atos evidentes alegadamente cometidos em apoio aos eventos de 11 de Setembro”. As acusações, que ainda incluem 2.973 assassinatos – um para cada pessoa morta nos atentados de 11 de Setembro – são as primeiras diretamente relacionadas aos ataques em Nova York e Washington a serem apresentadas contra qualquer prisioneiro de Guantánamo. Os cinco suspeitos estão entre 19 prisioneiros a ser julgados pelos tribunais militares americanos criados após os atentados para julgar cidadãos não americanos que tenham sido classificados como “combatentes inimigos” pela Casa Branca e, por conta disso, sem acesso aos direitos legais normalmente garantidos aos prisioneiros. Justiça no banco dos réus Os julgamentos levantaram questões sobre não apenas o tratamento dos detidos, mas também a legitimidade das comissões americanas. As autoridades americanas afirmam ter se esforçado para garantir que os julgamentos sejam justos, mas alguns de seus próprios advogados já condenaram o processo como fundamentalmente fracassado. A organização de defesa dos Direitos Humanos Human Right Watch afirma que falta credibilidade ao sistema porque as evidências foram obtidas por duras técnicas de interrogação. Ainda neste mês, a Corte Suprema americana vai decidir sobre os direitos dos prisioneiros detidos em Guantánamo, ameaçando um possível atraso, ou até a suspensão dos procedimentos do tribunal militar. Em 2006, a Corte Suprema determinou que um sistema anterior de julgamento era inconstitucional. |
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